Um homem é investigado por usar falsas entrevistas de emprego para coletar dados de reconhecimento facial de vítimas em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito se passava por recrutador e chamava candidatos para processos seletivos presenciais. Durante as entrevistas, pedia fotos e vídeos sob o pretexto de confecção de crachá, mas, na verdade, usava as imagens para tentar liberar financiamentos e até comprar veículos em nome das vítimas.
Uma das vítimas é uma profissional de recursos humanos que está desempregada há mais de um ano. Ela conta que participou da entrevista no início de março e recebeu a informação de que havia sido aprovada.
Investigação Policial
De acordo com a investigação, os crimes incluem estelionato e uso de documento falso.
A delegada responsável pelo caso, Luana Medeiros, afirma que o homem agia sozinho na abordagem inicial, mas fazia parte de um esquema maior.
“Ele é a ponta de uma cadeia criminosa. A cada empréstimo feito em nome das vítimas, recebia cerca de mil reais”, diz.
85 mil golpes em um ano
Dados da segurança pública apontam que mais de 85 mil casos de estelionato foram registrados no Rio Grande do Sul no último ano.
Especialistas alertam que o uso de reconhecimento facial exige cuidado, principalmente fora de ambientes oficiais.
“Quanto mais simples e confortável, maior o risco. Não se deve fornecer esse tipo de dado sem verificar a origem da solicitação”, afirma o especialista em segurança digital Ronaldo Prass.
O que diz a justiça
Procurado pela RBS TV, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou que o suspeito foi solto após audiência de custódia, com aplicação de medidas cautelares. Entre elas, estão o comparecimento mensal em juízo, a obrigação de manter o endereço atualizado e a proibição de se aproximar ou fazer contato com a vítima.
“Nunca imaginei que isso pudesse acontecer em uma entrevista presencial. Então, o meu caso vai servir de alerta para que as pessoas sempre desconfiem”, afirma.




