Governador de Goiás assina memorando com os EUA para acelerar exploração de terras raras

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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), assinou na manhã desta terça-feira (18) um memorando de entendimento entre seu Estado e o governo dos Estados Unidos para estabelecer uma parceria na exploração de minerais críticos e terras raras. O documento foi firmado no Consulado Geral dos EUA, em São Paulo, com o encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar.

Vale destacar que o documento não cria obrigações legais para as partes. No caso, a gestão estadual classifica o memorando como uma “declaração de intenções de boa-fé”, segundo nota divulgada à imprensa. O acordo afirma buscar cooperação mútuapara pesquisa e capacitação em um “ambiente regulatório competitivo”.

Após a assinatura, o mandatário participou do Fórum Brasil-EUA sobre o tema, organizado pela embaixada e consulados dos EUA no Brasil, Amcham Brasil, Citi e pela câmara de comércio dos EUA, com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Em conversa com a imprensa, Caiado criticou a atuação do governo federal no tema das terras raras que, ao contrário do governador, mantém uma postura ainda cautelosa com relação ao grau de abertura para investimentos estrangeiros em uma área estratégica para o país.

“Impossível a gente ficar com esse tipo de queda de braço. Nós temos que abrir cada vez mais espaço para ciência, para pesquisa, para inovação e para tecnologia. De repente, fica esse ‘titi’, um populismo que realmente não produz nada para o país”, disse o governador goiano.

Em sua visão, o país deve se abrir mais para a extração de terras raras em troca de “todo o avanço tecnológico” para poder separar os minerais críticos, aqueles relacionados à transição energética. “Isso é uma parceria, não é? Agora se você ficar em uma discussão rasteira, você perde o momento do Brasil”.

Atualmente, Goiás é a principal região de exploração de terras raras brasileiras, com Minaçu, única mina de terras raras em operação no Brasil e única fora da Ásia a produzir em escala comercial, e Nova Roma, onde há uma usina piloto.

No total, os Estados Unidos, por meio da U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e do Export-Import Bank dos EUA estão oferecendo mais US$ 600 milhões em financiamento para cerca de 50 projetos de minerais críticos em andamento no Brasil, segundo informou um porta-voz da embaixada americana em condição de anonimato.

“Vemos potencial para bilhões de dólares adicionais em investimentos”, disse. No entanto, estes investimentos ainda dependem de mudanças regulatórias e, principalmente, do aval do governo federal para saírem do papel.