Governador de Goiás, Ronaldo Caiado, permanece no PSD mesmo sem disputar o Planalto: ‘Permaneço, claro’

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A troca do União Brasil pelo PSD não foi, segundo o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um movimento condicionado à garantia de candidatura pessoal, mas à existência de um projeto nacional da legenda, que hoje reúne também os governadores Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) como nomes cotados para 2026. Em entrevista ao GLOBO, ele afirmou que continuará no partido mesmo se não for o escolhido na disputa interna pela Presidência da República e descreveu a filiação como parte de um rearranjo mais amplo dentro do campo da centro-direita.

Eu já tinha informado que buscaria uma alternativa partidária. E foi o que fiz. O que pesou é que aqui eu sei que o partido vai lançar candidato à Presidência. Vou para uma prévia, mas sabendo que o partido terá nome na eleição nacional. Não é um partido que vai apenas compor, afirmou. A declaração ajuda a explicar o sentido da mudança. Ao deixar o União Brasil, legenda que não deve lançar candidatura própria, Caiado passa a integrar um partido que tenta estruturar uma alternativa tanto ao bolsonarismo quanto ao lulismo, ainda que abrigue lideranças com projetos distintos.

Tivemos reunião ontem à noite, passamos o tempo todo juntos. Não há problema nenhum, zero problema. Está tudo acertado entre nós: aquele que for escolhido terá o apoio dos demais, disse, referindo-se a Ratinho e Leite. O modelo de definição do candidato ficará sob responsabilidade do presidente da sigla, Gilberto Kassab. Questionado se deixaria o PSD caso não fosse o escolhido, respondeu de forma direta: Permaneço, claro. A confirmação marca uma inflexão no declaratório do goiano que, desde que se lançou pré-candidato, vinha adotando um tom mais categórico de manutenção do projeto presidencial.

Crítico ferrenho do governo Lula, Caiado carrega um dos discursos mais duros da oposição entre os governadores e fez da segurança pública e da crítica à gestão petista marcas da própria trajetória política. Por isso, a presença do PSD na Esplanada, com ministérios no governo, surge como ponto de tensão. O governador contou que levou o tema diretamente a Gilberto Kassab e tratou de separar o arranjo herdado da eleição de 2022 do cenário que começa a ser desenhado para 2026.

Os ministérios são em decorrência da eleição de 2022, um crédito que o partido tinha naquele momento. Kassab me assegurou que, para 2026, cada liderança terá autonomia política, disse. Como exemplo dessa autonomia, citou a Bahia, onde o PSD integra o governo estadual do PT, mas afirmou que isso não o impede de adotar posição distinta no plano nacional. Isso mostra que há liberdade. E nem por isso vão diminuir as críticas que são merecidas ao governo Lula, completou.

Questionado se poderia ocupar o espaço aberto na centro-direita após a sinalização de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deve priorizar a disputa estadual, Caiado evitou se colocar como herdeiro direto desse campo, mas indicou que buscará construir alianças caso seja o escolhido pelo PSD. Se eu for o indicado, vou buscar alianças partidárias. Mas primeiro preciso passar pela etapa interna. Depois disso, parto para a construção de coligações amplas, afirmou.

Caiado também deixou claro que seu projeto não se constrói em isolamento em relação ao bolsonarismo. Ele relatou conversa na semana passada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e descreveu uma estratégia de ocupação do espaço da direita com múltiplas candidaturas no primeiro turno. Cada partido tem sua estratégia, cada um tem seu projeto, mas há diálogo. A ideia é termos uma pulverização de candidaturas agora e nos unirmos no segundo turno. Proposta inclusive defendida por ele, afirmou.

Caiado disse que só iniciará conversas formais para alianças após a definição interna no PSD, mas sinalizou que pretende dialogar com partidos de diferentes espectros do centro e da direita. Se não for o candidato ao Planalto, deixou aberta a possibilidade de disputar o Senado. É algo para pensar mais à frente, mas eu não teria dificuldade de decidir. É uma decisão mais confortável para mim, afirmou. Enquanto o cenário se define, o governador sustenta que não pretende alterar o foco do discurso. De forma resumida, afirma que vai seguir trabalhando e priorizando segurança e gestão.

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