BRASÍLIA (DF) — A governadora Celina Leão (PP) confirmou nesta segunda-feira (1º) que o Governo do Distrito Federal vai ocupar o Centro Administrativo de Taguatinga (Centrad), complexo fechado há 12 anos desde sua “inauguração” simbólica e que nunca foi efetivamente utilizado. A primeira pasta a se mudar será a Secretaria de Obras e Infraestrutura, e há previsão de que o gabinete da governadora também seja transferido para o local. A decisão, segundo o governo, visa reduzir gastos com aluguéis de imóveis que atualmente abrigam secretarias no Distrito Federal.
Mudança promete economia com aluguéis
A transferência das secretarias para o Centrad integra um plano de contenção de despesas do GDF. Dados oficiais indicam que o governo paga aluguel por diversos prédios espalhados pelo Plano Piloto e regiões administrativas. Com a ocupação do complexo, a expectativa é centralizar a administração e eliminar esses custos mensais. A Secretaria de Obras será a primeira a iniciar a mudança, embora ainda não haja informações detalhadas sobre o valor necessário para mobiliar e adaptar os espaços, que estão desocupados há mais de uma década. Em declaração pública, a governadora não esclareceu se o imóvel será afetado por um possível uso como garantia em operações financeiras do Banco de Brasília (BRB), conforme listagem anterior de ativos do governo.
Histórico de promessas e entraves jurídicos
O Centrad foi erguido por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada entre o GDF e o consórcio Via Engenharia/Odebrecht, com investimento previsto de R$ 6 bilhões e vigência de 22 anos. Em 2014, o então governador Agnelo Queiroz inaugurou o prédio com obras inacabadas e sem mobília. Nos anos seguintes, o Ministério Público e o Tribunal de Contas apontaram irregularidades contratuais, e a PPP foi anulada em 2022 após decisão judicial que proibiu repasses ao consórcio. As empreiteiras alegam ter gasto R$ 1,5 bilhão na construção e buscam ressarcimento na Justiça. Desde a anulação, o GDF arca com a segurança do complexo, alvo constante de invasões e vandalismo. Segundo registros oficiais da Agência Brasília, o local permaneceu sob responsabilidade pública, sem uso efetivo, enquanto gestões anteriores prometeram, sem sucesso, a ocupação — como Ibaneis Rocha em 2019 e novamente em 2025.



