Governo brasileiro dialoga com Venezuela em meio a prisão de Maduro: novos rumos na política do país

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O governo brasileiro conversou com o vice de Maduro logo após a prisão do ditador, dizem interlocutores. Horas após o ataque americano em Caracas e a prisão do presidente Nicolás Maduro, o Palácio do Planalto iniciou uma força-tarefa para tentar antever os próximos passos na política venezuelana. A equipe do embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, concentrou os esforços. Segundo apuração da GloboNews, na manhã de sábado (3), enquanto tropas americanas levavam Maduro para Nova York, emissários do Planalto conversaram ao telefone com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, com o ex-vice-ministro da chancelaria venezuelana, Rander Peña e com Antonio Ecarri Angola, candidato independente derrotado nas últimas eleições presidenciais em 2024.

Interlocutores do governo brasileiro relataram que integrantes do regime Maduro reconheceram que houve negociações entre Delcy Rodríguez e o governo de Donald Trump antes do ataque do último sábado. Um emissário do Planalto revelou que Venezuela e Estados Unidos ainda “não tinham chegado a termos”. “Os americanos avançaram e prenderam Maduro quando viram que tinham condições”, relatou esse interlocutor. O Planalto foi informado de que Delcy Rodríguez indicou representar uma coesão no chavismo. Agora, o governo brasileiro quer entender se a presidente interina “é a transição pacífica dos venezuelanos para os venezuelanos”.

Um dos pontos colocados pela Venezuela nas negociações, entretanto, estaria sendo cumprido pela Casa Branca até o momento: o respeito à ordem constitucional do país. Pouco depois da captura de Nicolás Maduro, o presidente americano, Donald Trump, rechaçou a possibilidade de a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, assumir o poder na Venezuela. Para Trump, Machado não teria “apoio ou respeito” para governar o país. A declaração de Trump sobre María Corina seria, para opositores moderados do regime chavista, uma confirmação de que os EUA optaram por Delcy Rodríguez. O Planalto recebeu a informação de que, para esse grupo moderado, a presidente interina pode constituir um espaço para uma transição democrática.

Os canais diplomáticos entre Venezuela e Brasil estão abalados desde a reeleição de Maduro em julho de 2024. O Brasil questionou o resultado anunciado por Caracas e pediu a apresentação das atas eleitorais, o que o regime de Maduro não fez. O governo brasileiro também atuou contra a entrada da Venezuela no Brics, bloco econômico que reúne Brasil, Índia, China, Rússia e outros sete países. Os sinais sobre essa possibilidade podem sair da nova legislatura da Assembleia Nacional da Venezuela. Os 285 deputados eleitos tomaram posse em Caracas nesta segunda-feira (5), entre eles, Antonio Ecarri Angola, derrotado no pleito de 2024.

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