Governo busca votação do acordo UE-Mercosul no retorno do recesso

European Commission President Ursula von der Leyen delivers a speech during the signing ceremony of the trade agreement between the European Union and Mercosur, at the Gran Teatro Jose Asuncion Flores of Paraguay's Central Bank in Asuncion on January 17, 2026. The South American bloc Mercosur and the European Union on January 17 signed a major trade deal that has been 25 years in the making. (Photo by Luis ROBAYO / AFP)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer dar prioridade à votação no Congresso do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, assinado no último sábado (17). O termo precisa ser ratificado na Câmara e no Senado, e governistas falam em trabalhar para que isso seja apreciado no início do ano legislativo, a partir de fevereiro. Um auxiliar de Lula afirma que há uma avaliação que é um tema que pode unir os parlamentares de diferentes campos ideológicos para começar o ano com uma pauta positiva, num momento em que o governo busca distensionar a relação com o Legislativo e que o Congresso se prepara para o processo eleitoral. Além disso, uma liderança afirma que esse assunto também poderá representar uma sinalização do governo ao setor do agronegócio, que será beneficiado com o acerto. O segmento apresenta mais resistência ao governo Lula e representa uma das principais forças no Congresso. Parlamentares governistas dizem que é uma maneira, também, de adiar a votação de temas que o Palácio do Planalto é contra, a exemplo da apreciação do veto presidencial ao projeto que altera regras de dosimetria e reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 – já que a tendência é que o veto seja derrubado, numa derrota ao governo. O tratado foi assinado no último sábado. O acordo comercial cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e é resultado de mais de 20 anos de negociação. O acordo UE–Mercosul elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral e favorece as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas para os países fundadores do Mercosul. Em contrapartida, facilita a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos. Alckmin espera votação no 1º semestre O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou na semana passada que trabalha com a expectativa de que o tema possa ser votado no Congresso ainda neste semestre. ‘Assinado, o Parlamento Europeu aprova a sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo’, disse o vice-presidente no último dia 15, no programa ‘Bom Dia, Ministro’. Há uma avaliação entre parlamentares governistas que a votação desse acordo não deve enfrentar grandes resistências no Congresso, com exceção de uma parte da oposição. Um integrante do Palácio do Planalto diz que o governo também poderá usar esse momento para reforçar a ideia de união nacional em meio a ataques à soberania de países latino-americanos, após a operação dos Estados Unidos na Venezuela. Além disso, o tema da defesa da soberania do Brasil é apontado por governistas como um dos motivos que levou a uma melhoria na popularidade do governo petista no ano passado e deverá ser explorado pela campanha do petista à reeleição. Motta promete prioridade O próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou em publicação nas redes que dará prioridade ao tema na Casa. ‘Pretendemos dar ao acordo a tramitação mais rápida possível na Câmara dos Deputados, para que ele possa entrar em vigor o quanto antes e, assim, começar a repartir seus frutos a todos os participantes’, escreveu. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), diz à reportagem que tratou do tema com Motta antes mesmo do tratado ser assinado e que incentivou o parlamentar a dar celeridade ao acordo. Ele afirma que levará esse assunto à reunião do colégio de líderes convocada por Motta para o próximo dia 28. ‘Vamos levar esse tema para ser discutido na reunião de líderes no dia 28. É um assunto que já tratei algumas vezes com o presidente Hugo Motta. É começar o ano com uma pauta que unifica o Parlamento, de grande interesse para o país. Seria muito bom’, diz Lindbergh. Governistas reconhecem, no entanto, que por causa do feriado do Carnaval, em fevereiro, esse tema possa começar a ser discutido a partir de março. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), diz que conversou com o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) sobre o tema e que ouviu do parlamentar que ele também dará celeridade à votação na Casa. Ele afirma que isso deve ser apreciado ainda neste primeiro semestre. ‘No mesmo dia que foi anunciado que (o acordo) seria assinado, liguei ao presidente Davi e pedi a maior celeridade possível nessa tramitação e ele concordou. Isso está na ordem do dia com certeza. É uma pauta que une todos os setores e que é extremamente necessária’, diz o senador.

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