Governo do Distrito Federal ignorou alertas do Ministério Público ao manter negociação para comprar Banco Master, indicam documentos obtidos pela TV Globo.
Meses antes da operação da PF, MP pediu que BRB verificasse ‘lisura’ dos balanços do Master. BRB respondeu que só poderia fazer auditoria se Banco Central desse aval à compra – o que não aconteceu.
O governo de DE ignorou recomendações de cautela do Ministério Público Federal ao dar continuidade às negociações da compra de boa parte do Banco Master em 2025, indicam documentos obtidos pela TV Globo.
Em agosto, o MPF enviou uma recomendação ao governo distrital indicando uma série de ressalvas sobre a transação.
Para os procuradores, “[…],a responsabilidade de comprovar a lisura do negócio cabe às instituições envolvidas”.
Na prática, o MPF estava recomendando que o BRB se certificasse de que os valores anunciados pelo Banco Master eram sólidos. Ou seja: que não havia risco de “comprar gato por lebre”, como diz o dito popular.
Meses depois, a operação Compliance Zero da Polícia Federal revelou, justamente, indícios de que boa parte dos ativos do Banco Master foi “inflada” nos balanços através de operações fraudulentas. Os inquéritos seguem em andamento.
O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB ainda em 2025. O banco distrital corre agora contra o tempo para melhorar sua situação patrimonial, abalada pelas transações malsucedidas com o Master.
A recomendação do MPF também alerta sobre a responsabilidade dos gestores envolvidos na negociação que se desenhava à época.
Por fim, o Ministério Público recomenda que “antes de concluir a operação de aquisição do Banco Master, comprove, por meio de apuração pormenorizada e documentação idônea, a fidedignidade, a efetiva existência e a correta valoração de todos os ativos, passivos e operações incluídos no perímetro da operação”.
Em resposta a essa recomendação, o Banco de Brasília enviou um pedido de reconsideração ao MPF e disse que tinha tomado medidas adicionais para garantir a segurança da transação.
Segundo o BRB, sem o aval que estavam pedindo ao Banco Central, o banco não tinha como acessar as informações internas do Master para verificar se, de fato, havia consistência nos balanços.
A Procuradoria-Geral do DF disse reconhecer o risco da transação, mas defendeu que o aval do Banco Central teria que vir antes da auditoria.
“O Distrito Federal não nega a gravidade das considerações de risco formuladas pelo Ministério Público Federal e reconhece a necessidade de apuração rigorosa dos fatos noticiados”, diz o documento.
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