A avaliação dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é clara: o Brasil conseguiu evitar constrangimentos ao embaixador argentino, Guillermo Daniel Raimondi. A relação diplomática entre Brasil e Argentina sofreu um rebaixamento significativo na terça-feira, 5 de agosto de 2026, em meio a uma escalada de tensões envolvendo o presidente argentino, Javier Milei.
A provocação de Milei, que tem ofendido autoridades brasileiras, inclusive o próprio presidente Lula, se intensificou desde sua participação na convenção nacional do Partido Liberal em São Paulo, onde oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. O Itamaraty, em resposta, decidiu rebaixar as relações diplomáticas, que agora passarão a ser conduzidas por encarregados de negócios ao invés de embaixadores.
Essa mudança, segundo fontes do Planalto, não implica em um gesto hostil explícito direcionado ao embaixador Raimondi. Ele não foi classificado como persona non grata, nem foi dado prazo para a sua saída do Brasil. Entretanto, a perda do status de embaixador significa uma diminuição significativa do espaço que a Argentina terá para se representar diplomaticamente no Brasil.
Um fator importante a ser considerado são as diferenças funcionais entre um embaixador e um encarregado de negócios. Embora os países possam operar com um corpo diplomático, a ausência de um embaixador implica em limitações significativas nas interações e na representação oficial junto ao governo do país onde está acreditado.
O embaixador Júlio Bitelli havia retornado ao Brasil em 26 de julho, mas sua volta para a Argentina estava em vias de ser concretizada. Contudo, com as constantes ofensas de Milei a Lula, a situação se complicou e levou à decisão de reduzir a representação argentina no Brasil.
Em nota, a chancelaria argentina se manifestou criticando a decisão do Brasil, afirmando que o país “está se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas”. Essa crítica reflete a preocupação argentina em relação à deterioração das relações bilaterais e sua colaboração regional.
Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi enfático ao afirmar que a decisão de reduzir a representação diplomática foi baseada nas constantes ofensas e agressões proferidas por Milei contra o Brasil e suas instituições. Segundo Vieira, “as condições [que provocaram essa decisão] foram os reiterados atos, insultos e agressões ao Brasil”.
O Poder360 tentou entrar em contato com a Embaixada da Argentina para obter um comentário sobre o tratamento ao embaixador Guillermo Daniel Raimondi, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem. O veículo se compromete a atualizar o texto conforme novas informações sejam recebidas.



