O governo de Donald Trump solicitou e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva recusou a ideia de o Brasil receber presos de outras nacionalidades deportados dos Estados Unidos. Essa demanda fazia parte das negociações para um acordo de cooperação no combate ao crime organizado, que poderia ser firmado durante a futura visita de Lula a Washington.
A proposta americana consta em um documento amplo enviado ao Brasil e foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo, cujo conteúdo foi confirmado pelo Estadão. O governo brasileiro descartou firmemente essa possibilidade, alegando que as leis nacionais impedem esse tipo de parceria.
De acordo com autoridades do Itamaraty e do Palácio do Planalto, o Brasil só aceitará deportados brasileiros, independentemente de terem ou não antecedentes criminais. O tema ganhou destaque no início do segundo mandato de Trump, quando suas operações de deportação e policiamento migratório foram intensificadas.
O acordo de cooperação na área do crime organizado e jurídica é um dos principais pontos em negociação para a possível visita de Lula a Trump, na Casa Branca. Outro assunto discutido é um acordo para explorar minerais críticos.
Nos últimos dias, porém, houve uma série de atritos entre os governos. Lula criticou Trump pela guerra no Irã e cancelou o visto de um diplomata dos EUA que se encontraria com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Por outro lado, Trump incluiu o Brasil numa nova investigação sobre práticas comerciais, que poderiam resultar em tarifas.
Integrantes do governo afirmam que a decisão sobre questões comerciais não foi diretamente voltada contra o Brasil, já que 59 países e a União Europeia também estão incluídos. A investigação sobre trabalho forçado permite a manifestação do governo e do setor privado, e a orientação no Palácio do Planalto é aguardar.
Nas negociações entre os dois países, os EUA solicitaram que o Brasil adote um plano para combater facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o grupo radical xiita Hezbollah, além de organizações chinesas ligadas a atividades ilícitas.
O governo Trump também pediu a troca de informações biométricas sobre migrantes e refugiados em busca de asilo, partindo do interesse de conter o fluxo de imigração. Autoridades do governo Lula alegam que há espaço para cooperação, desde que esteja alinhada com as leis brasileiras, como a Lei Geral de Proteção de Dados e a Lei Antiterrorismo.




