Greve dos rodoviários em São Luís completa 4º dia: ônibus urbanos parados

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Greve dos rodoviários chega ao 4º dia e ônibus urbanos seguem parados em São Luís

A paralisação parcial dos rodoviários do sistema urbano de São Luís
chegou ao quarto dia nesta segunda-feira (16), sem previsão de acordo entre
trabalhadores e empresas. Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão
(Sttrema), a greve é motivada pelo não pagamento do reajuste salarial de 5,5%,
determinado pela Justiça em janeiro, após uma paralisação de oito dias.

Nas primeiras horas da manhã, quem saiu de casa para trabalhar, estudar ou
cumprir outros compromissos não encontrou nenhum ônibus urbano circulando. Sem o
serviço, milhares de passageiros enfrentaram atrasos, longas esperas e custos
maiores com transportes alternativos.

REAJUSTE SALARIAL DESCUMPRIDO

Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão (Sttrema), o reajuste salarial
de 5,5% deveria ter sido pago desde janeiro.

salário-base: R$ 2.715,50

reajuste devido: R$ 151,52

situação: não foi pago, segundo o sindicato

O presidente do Sttrema, Marcelo Brito, informou nesse domingo (15) que, até o
momento, a entidade não havia sido chamada para negociar o impasse que motiva a
greve.

Ele afirma que, até o momento, não há nenhuma reunião marcada para tentar
avançar nas tratativas e buscar uma solução para a paralisação.

Esta é a segunda vez, em menos de três meses, que São Luís enfrenta uma greve de
ônibus. De acordo com o sindicato, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam
atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís.

PREFEITURA LIBERA VOUCHERS

A Prefeitura de São Luís alega que vem cumprindo regularmente todas as suas
obrigações financeiras com o sistema de transporte público e tem feito os
repasses do subsídios às empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução
ou atraso.

Entretanto, para reduzir os impactos da greve, o Município liberou vouchers em
um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários do sistema
de transporte público, enquanto o serviço estiver comprometido.

Segundo a Prefeitura, os vouchers já foram disponibilizados para os usuários já
cadastrados no sistema feito pela prefeitura anteriormente.

Além disso, o Município de São Luís informou que ingressou na quinta-feira (12),
com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve
e adoção de medidas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo,
como determina a legislação aplicada aos serviços essenciais.

O QUE DIZEM A PREFEITURA DE SÃO LUÍS E O SET

Nota da Prefeitura de São Luís

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informa que a greve
registrada nas primeiras horas desta sexta-feira (13) no sistema de transporte
urbano de São Luís decorre do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus,
da decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a implementação de
reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários.

Mesmo após a decisão judicial, as empresas não garantiram aos trabalhadores as
vantagens determinadas pela Justiça do Trabalho, o que levou à greve no sistema
urbano de transporte público.

A SMTT esclarece que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações
financeiras com o sistema de transporte público, com os repasses do subsídios às
empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso.

Diante disso, causa estranheza o fato de que, mesmo recebendo regularmente os
recursos devidos pelo Município, as empresas não tenham garantido a
implementação do reajuste e benefícios assegurados aos trabalhadores
rodoviários.

A SMTT segue acompanhando a situação de forma permanente e adotando todas as
medidas necessárias para assegurar o restabelecimento do serviço e resguardar os
direitos dos usuários do transporte público de São Luís.

Nota do SET

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), vem, a
público, esclarecer as declarações feitas pelo atual Prefeito de São Luís,
Eduardo Braide, na manhã desta sexta-feira, dia 13, em rede social:

SUBSÍDIO: O subsídio pago atualmente pela Prefeitura de São Luís ainda é o
mesmo de Janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos aos
trabalhadores rodoviários, e aumento em todos os outros custos do serviço.

FALTA DE ACORDO: Na Justiça do Trabalho não houve acordo, pois, a SMTT nem
sequer compareceu.

AUMENTO DO DIESEL: O preço do diesel aumentou R$ 1,40 o litro só na última
semana. A medida do presidente Lula resultará numa redução de apenas R$0,30.

GREVES

As diversas greves, que ocorrem desde 2021, são resultado do reiterado
descumprimento do contrato por parte do Município de São Luis, fato confessado
em vídeo pelo próprio Prefeito, que, ao congelar o subsídio desde janeiro de
2024, colocou o sistema em colapso. O SET está cooperando com os Órgãos de
Justiça e Controle na apuração dos verdadeiros motivos e responsáveis pela crise
do setor.

Por fim, o SET afirma que tem buscado o diálogo, tendo protocolado diversos
pedidos de reunião junto à SMTT desde o início de 2025, e mantém a disposição na
busca do diálogo técnico sobre o transporte de nossa cidade.

MP-MA ABRE INQUÉRITO PARA INVESTIGAR FALHAS NO TRANSPORTE COLETIVO DE SÃO LUÍS

A paralisação ocorre enquanto o Ministério Público do Maranhão conduz um
inquérito civil que apura falhas na prestação do serviço, paralisações
recorrentes, problemas estruturais e possíveis irregularidades na gestão e
operação do sistema de transporte da capital.

Os focos da investigação incluem o Município de São Luís, o Sindicato das
Empresas de Transporte de Passageiros (SET), os consórcios Central, Via SL e
Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda.

Como providências iniciais, o MPMA solicitou à Secretaria Municipal de Trânsito
e Transportes (SMTT) e ao SET uma série de documentos, incluindo:

informações sobre todas as linhas do sistema;

itinerários, consórcios, concessionárias e frotas;

planilhas de custos do transporte;

valores de subsídios tarifários pagos entre 2021 e 2026;

número de novos ônibus incorporados ao sistema no mesmo período;

e medidas adotadas pela Prefeitura para corrigir falhas na prestação do serviço.