Um desfecho trágico. Em Guarantã do Norte (MT) — A brutalidade de um crime chocou a cidade de Guarantã do Norte (MT) nesta terça-feira (23), quando Matheus Gonçalves dos Santos, de 33 anos, foi identificado como o principal suspeito de assassinar a própria companheira, Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos. O caso, registrado como feminicídio, trouxe à tona um histórico preocupante de violência doméstica.
No episódio que resultou no assassinato de Gleici, as autoridades destacaram o fato de que ela havia retirado medidas protetivas contra Matheus meses antes do crime. Com a tragédia, um alerta nacional foi emitido, obrigando as autoridades locais a reavaliarem a eficácia das medidas de proteção em casos de violência doméstica. Segundo a Polícia Civil, Matheus fugiu para o Paraguai após o crime, levando consigo o filho do casal, sem documentação, gerando uma nova camada de vulnerabilidade.
Qual o histórico de violência do suspeito em Guarantã do Norte?
O histórico de violência doméstica entre Matheus e Gleici não é recente. Conforme registros, Gleici havia denunciado o parceiro por episódios de agressão em anos anteriores, resultando na concessão de medidas protetivas em 2024. No entanto, em julho de 2025, após Matheus ser preso em flagrante por lesão corporal, Gleici optou por revogar essas medidas, que culminou na libertação dele. Tristes eventos como esse não são novos na região, alertando para o ciclo de violência que muitas mulheres enfrentam, porém com pouca visibilidade nas cidades menores.
De acordo com especialistas do Judiciário, essa revogação de medidas protetivas muitas vezes se dá por dependência emocional, econômica, ou mesmo por medo de retaliação. A investigação da Polícia Civil trabalha para juntar todas as peças do quebra-cabeça que é este caso trágico de um ciclo de violência não interrompido a tempo.
Como Guarantã do Norte reagiu ao crime?
A reação em Guarantã do Norte foi de consternação e revolta. A cidade, que possui cerca de 40 mil habitantes, se vê agora como epicentro de um dos casos de maior repercussão envolvendo violência doméstica na região em 2026. Moradores expressaram seus sentimentos em redes sociais, muitos deles clamando por justiça para Gleici e proteção para a criança envolvida.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a falha nas medidas de proteção oferecidas a vítimas de violência doméstica. Conforme dados recentes das autoridades de Mato Grosso, o estado registrou um aumento preocupante nos casos de feminicídio, refletindo uma tendente escalada de violência contra a mulher, especialmente em regiões menos assistidas.
O que as autoridades locais têm a dizer sobre o caso?
Diante do cenário, as autoridades judiciais foram rápidas em garantir que medidas fossem tomadas. O juiz Guilherme Carlos Kotovicz, responsável pelo caso, decretou a prisão preventiva de Matheus e determinou a inclusão do mandado no sistema de cooperação internacional via Interpol. Conforme o Ministério Público, o histórico contínuo de agressões de Matheus é um indicativo claro dos riscos que ele representa, não apenas para a família, mas também para a ordem pública.
A chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero, Mariell Antonini, destacou a importância de barreiras protetivas mais eficazes, afirmando que “medidas legais sem apoio e fiscalização adequada podem se tornar apenas um paliativo”. Para ela, o suporte comunitário e as campanhas de conscientização são cruciais.
Nossa equipe de reportagem apurou que a cidade, apesar de estar em estado de choque, se mobiliza para acompanhar o desenrolar dos fatos e prestar apoio à família da vítima.
Quais medidas de apoio estão disponíveis para as mulheres em Mato Grosso?
Mato Grosso conta com ferramentas como o aplicativo ‘SOS Mulher MT’, uma inovação tecnológica que visa facilitar o acesso a serviços de apoio em casos de violência. Com funções como o botão do pânico virtual e o acesso a medidas protetivas online, ele se revelou um recurso valioso para muitas mulheres. No entanto, critica-se que a ferramenta ainda não é amplamente implementada em todo o estado, limitando seu alcance.
Conforme a Secretaria de Segurança Pública, esforços estão sendo canalizados para expandir o acesso e a efetividade desses serviços. Além disso, campanhas educativas estão em planejamento, visando diminuir os casos de violência antes que precisem de intervenção das forças policiais.
O repórter do Diário do Estado esteve no local em Guarantã do Norte e conversou com autoridades e moradores que manifestaram medo crescente, mas também a esperança de que esse triste episódio leve a mudanças estruturais reais. A redação acompanha as investigações e trará novas informações à medida que forem divulgadas.



