O impacto da guerra do Irã na conjuntura política brasileira pode provocar uma tempestade perfeita nas eleições e alterar profundamente o cenário atual de polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro, seu principal oponente.
Embora favorito, Lula enfrenta um candidato em ascensão, e não é possível prever o impacto da alta dos combustíveis na inflação geral e na popularidade do governo.
A resistência dos governadores em reduzir o ICMS dos combustíveis é expressão de um conflito distributivo em momentos de crise.
Para completar, a expectativa de redução acelerada da taxa de juros está sendo frustrada.
A oposição, liderada por Flávio Bolsonaro, tende a explorar o aumento do custo de vida como narrativa central, independentemente de sua origem externa.
Como em 1974, a economia pode ser o fator decisivo nas eleições e, mais uma vez, um choque internacional pode redesenhar o mapa político brasileiro.
Geisel optou por manter investimentos pesados em infraestrutura, energia e indústrias de base para tentar blindar a economia.
A ameaça de uma nova greve dos caminhoneiros mostra a gravidade do momento.
Choque externo de preços, risco de paralisação logística, conflito federativo, incerteza monetária e exploração política da inflação formam uma ‘tempestade perfeita’.



