Guerra Econômica dos EUA: Estratégias e Impacto Global das Sanções Financeiras

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Os Estados Unidos utilizam a guerra econômica como uma ferramenta para desestabilizar países e derrubar governos. O renomado economista Jeffrey Sachs argumenta que o domínio do dólar e sanções financeiras são empregados como armas para provocar colapsos monetários e promover mudanças de regime. Esse tipo de estratégia é caracterizado como parte da guerra híbrida conduzida por Washington, cujo objetivo é desencadear crises sociais e econômicas através da coerção comercial e financeira.

Sachs ressalta que essa prática vai além da simples diplomacia ou coerção tradicional, sendo uma estratégia planejada para levar moedas nacionais ao colapso, desmantelar sistemas bancários e gerar instabilidade social e política. Ele destaca uma nota de John Maynard Keynes, que em 1919 alertava sobre a sutilidade de depreciar uma moeda como forma de subverter as bases da sociedade de maneira imperceptível para a maioria das pessoas.

Para o economista, os EUA aprimoraram essa “arte da destruição” ao tornar o dólar a moeda central do sistema financeiro global e ao recorrer a sanções econômicas e políticas como parte de uma estratégia mais ampla de guerra híbrida. O foco em países como Irã e Venezuela evidencia a forma como as sanções, operações cibernéticas e subversão política são empregadas para debilitar moedas e fomentar instabilidade interna.

Em entrevista no Fórum Econômico Mundial, o secretário do Tesouro dos EUA confirmou publicamente a estratégia por trás das sanções, revelando como foram desenhadas para enfraquecer a economia iraniana e deflagrar um colapso dentro do país. A análise de Sachs aponta que esse é um exemplo específico de como as sanções desencadeiam uma série de eventos que culminam em protestos sociais, escassez de produtos e sofrimento econômico para a população afetada.

O impacto humanitário dessas práticas ilegais, segundo Sachs, é significativo e documentado. Além de violarem o direito internacional ao impor sanções unilaterais, tais medidas geram aumento da mortalidade e escassez de alimentos, medicamentos e serviços públicos. O economista destaca o movimento global de desvinculação do domínio financeiro dos EUA, com países do BRICS e outras nações buscando alternativas ao dólar para reduzir a eficácia das sanções.

Sachs chama atenção para o fato de que a Europa também começa a sentir os efeitos dessa coerção econômica, com ameaças de tarifas por parte dos EUA em disputas políticas e comerciais. O poder dos EUA de impor sanções baseia-se no papel central do dólar, que permite o controle do sistema financeiro internacional. No entanto, com o surgimento de novas arquiteturas financeiras internacionais, essa influência tende a enfraquecer.

Ele encerra defendendo uma reação coordenada da comunidade internacional contra as práticas econômicas desleais dos EUA. Classificar a guerra econômica como estratégia não a legitima, mas enfatiza sua ilegalidade e desestabilização. A cooperação entre a Europa e outras economias pode ser determinante para pôr um fim a essa prática danosa, que além de provocar sofrimento humano, tende a falhar em seus objetivos estratégicos.

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