Hiperfabulária Tropical: Figurino conduz narrativa em espetáculo inovador no Festival de Curitiba

hiperfabularia-tropical3A-figurino-conduz-narrativa-em-espetaculo-inovador-no-festival-de-curitiba

O figurino deixa de ser elemento decorativo e passa a conduzir a narrativa em Hiperfabulária Tropical, solo da artista da dança Carmen Jorge que integra a Mostra Fringe. Desta vez, a obra ganha uma camada extra de significado ao ser apresentada dentro de um ateliê de moda, espaço pouco usual para espetáculos de dança e performance.

As apresentações acontecem nos dias 7 e 8 de abril no Ateliê Luan Valloto, onde o próprio figurinista abre o estúdio ao público. A escolha transforma o ambiente de criação de roupas em cenário e extensão da própria dramaturgia.

A performance não chega ao Fringe como estreia. O solo foi apresentado anteriormente na Casa Hoffmann, centro de referência em dança contemporânea, onde Carmen Jorge desenvolveu parte de sua pesquisa corporal. A obra tensiona corpo, palavra e política em cena e propõe uma experiência de “corpocaos”, conceito que orienta toda a criação.

Figurino como dispositivo de linguagem

Nesse universo, a roupa não acompanha o corpo, ela participa dele. O figurino é assinado pelo estilista Luan Valloto, que desenvolveu as peças em diálogo direto com a performer.

“O figurino é um instrumento de semiótica e simbolismo. É muito difícil ele ser neutro, e isso é algo positivo, porque ele comunica junto com a personagem”, afirma.

O processo de criação começou a partir da autoimagem descrita por Carmen Jorge: uma figura entre boneca plástica e androide tropicalista. A partir dessa referência, o estilista optou por materiais plásticos, transparências e formas tridimensionais que ressaltam o corpo e suas marcas.

Entre o tropicalismo e o futuro

A construção visual da performance cruza referências da Tropicália com estética futurista e cultura pop. Valloto explica que a escolha de silhuetas e materiais também dialoga com tendências atuais da moda, criando um figurino que simultaneamente remete ao passado e aponta para o futuro.

“A questão do tropicalismo e da cultura pop fazia muito sentido para a gente, mas em uma vertente mais futurista, quase robótica”, diz o figurinista.

As peças foram pensadas para acompanhar a técnica de popping utilizada por Carmen Jorge em cena, contrações musculares rápidas que exigem roupas funcionais e resistentes. Transparências e sobreposições revelam o corpo e as tatuagens da artista, transformando a roupa em extensão da própria pele.

O ateliê como cenário e gesto político

A decisão de apresentar o espetáculo no ateliê surgiu após uma visita da artista ao espaço. Ao observar a vitrine e a disposição dos elementos, Carmen percebeu que o local traduzia visualmente o universo da performance.

“Ela olhou o espaço e falou: ‘é isso que eu queria de fundo’. A partir daí começamos a pensar como fazer a apresentação ali”, relembra Valloto.

Acostumado a receber desfiles, o estilista afirma que esta será a primeira vez que o estúdio abrigará uma performance de dança e teatro. “Já ocupamos o ateliê com moda, mas uma apresentação cênica é a primeira vez. Estamos bem contentes com isso. ”

Experimento entre linguagens

Para Luan, a apresentação no ateliê representa uma possibilidade de aproximar públicos distintos. “O ateliê e o figurino têm plasticidades, cores e transparências muito semelhantes. Vai ser uma oportunidade diferente para quem gosta de dança, teatro e moda acompanhar tudo isso junto. ”

A experiência aponta para um futuro em que espaços de criação de moda possam também funcionar como centros de experimentação artística. “Quero que o ateliê receba mais apresentações. Moda, performance e espetáculo têm tudo a ver entre si”, afirma.

SERVIÇO

Hiperfabulária Tropical – Mostra Fringe – 34º Festival de Curitiba

Data: 7 (gratuito) e 8 de de abril (a partir de R$ 15), às 17 horas

Local: Ateliê Luan Valloto – Rua Comendador Macedo – 360, Centro Classificação indicativa: 16 anos Duração: 35 min Lotação: 30 lugares

34.º FESTIVAL DE CURITIBA

Data: De 30/3 até 12/4 de 2026

Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas).

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller – Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo.

Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.

MAIS LIDAS
Unidades municipais premiadas pelo destaque na alfabetização receberão incentivo financeiro
Alan Ritchson, de 'Velozes e Furiosos', é acusado de agredir
Ronaldo Caiado pode ser candidato do PSD à Presidência, afastando
Cláudio Castro amplia poderes do secretário da Casa Civil e
Incêndio de grandes proporções atinge oficina mecânica em Pelotas, RS,
Vila Nova não terá Guto Ferreira na estreia da Copa
Em meio à batalha judicial pela curatela de Anita Harley,