BELO HORIZONTE (MG) — Um homem de 57 anos morreu após levar um soco e cair ao defender duas mulheres que estavam sendo importunadas sexualmente na madrugada deste sábado (6), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ailton da Silva, identificado como a vítima, foi enterrado neste domingo no Cemitério Parque Nova Lima. O suspeito, Antônio Edson Oliveira Alves, de 41 anos, foi preso em flagrante e teve a prisão convertida para preventiva, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Intervenção fatal na Avenida Rio Solimões
De acordo com a Polícia Militar, as mulheres saíram de uma festa junina quando foram seguidas pelo suspeito, que insistia em acompanhá-las até em casa. Elas recusaram a abordagem, mas o homem continuou insistindo e as parou na Avenida Rio Solimões, no bairro Nossa Senhora de Fátima. Nesse momento, Ailton interveio e pediu que o suspeito deixasse as mulheres em paz. Uma discussão começou, e, segundo o boletim de ocorrência, o agressor deu um soco no rosto da vítima, que caiu, bateu a cabeça no chão, perdeu a consciência e começou a convulsionar.
Câmeras de segurança registraram a agressão. As imagens mostram o suspeito empurrando Ailton e desferindo o golpe, além do desespero das mulheres que testemunharam a cena. Testemunhas acionaram o socorro e tentaram reanimar a vítima, que foi levada ao Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em Nova Lima, mas não resistiu aos ferimentos.
Suspeito é preso com o filho de 10 anos
Segundo a Polícia Militar, Antônio Edson estava acompanhado do filho, uma criança de cerca de 10 anos, durante toda a confusão. Após a agressão, ele deixou o local com a criança, mas foi localizado pela PM na casa onde mora. Inicialmente, familiares informaram que ele havia saído, mas um morador indicou que o suspeito estava escondido no andar superior. A porta do quarto foi arrombada, e ele se rendeu sem resistência. A prisão em flagrante foi convertida para preventiva pela Justiça.
Família lamenta morte de homem que ajudava as pessoas
Familiares descrevem Ailton como alguém tranquilo, que evitava conflitos e tinha o hábito de ajudar outras pessoas. Ele deixa três filhos e seis netos. “Foi covardia. Meu irmão nunca brigou com ninguém do bairro. Ele fugia de confusão e, de repente, tentando defender as meninas, esse cara faz isso”, afirmou a irmã, Ivanete Silvana da Silva, em declaração pública. A filha Joice Vianna também lamentou: “Meu pai não fazia nada com ninguém. Ele era uma pessoa excelente, qualquer um podia contar com ele”.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias da agressão com base em depoimentos, imagens de câmeras de segurança e laudos periciais. A tragédia reacende o debate sobre a violência contra quem tenta intervir em situações de assédio em espaços públicos.

