Homem relata confusão e falta de orientação em evacuação durante incêndio no
Shopping Tijuca
Ele estava no cinema com duas crianças. ‘Não teve nada de evacuação, de brigada,
de ponto de encontro’, relatou ao De. Centro comercial nega e afirma que a
retirada das pessoas ocorreu de forma gradual, seguindo os protocolos de
segurança.
Bombeiro civil é socorrido após incêndio no Shopping Tijuca — Foto: Lucas
Machado/GloboNews
Um homem que estava em uma sala de cinema com duas crianças no momento do
incêndio no Shopping Tijuca, que deixou duas pessoas mortas e três feridas, relatou que a evacuação do local foi marcada por correria e falta de informações. Ele preferiu não se identificar à reportagem do De.
O cliente disse que o filme que estava assistindo começou por volta de 18h20.
Cerca de quarenta minutos depois, veio um aviso:
“Quando foi 19h, ligou a luz do cinema, entrou uma mulher do cinema lá na frente, falou baixinho assim: ‘Galera, vocês precisam sair porque tá pegando fogo’”, relembrou.
As salas de cinema ficam no último pavimento do shopping, o que dificulta a saída de quem estava no local durante a evacuação.
> “Foi uma correria, as seis salas de cinema tendo que descer por aquela escada rolante que estava funcionando, aquela escada pequena. Eu estava com duas crianças. Não teve nada de evacuação, de brigada, de ponto de encontro”, afirmou.
O incêndio começou em uma loja de decorações que fica no subsolo. Funcionários relataram cheiro forte e fumaça por volta das 18h30, e clientes foram retirados do prédio. A suspeita é que o fogo tenha começado no sistema de refrigeração. O centro comercial permanece fechado ao público.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o 6º Batalhão da corporação foi acionado às 18h43 do dia 2 de janeiro.
Ao descer pela escada de emergência, o cliente chegou ao guichê do estacionamento, onde encontrou um ambiente aparentemente tranquilo, com funcionários conversando e serviços como café e banheiro disponíveis.
Ele relatou que num primeiro momento decidiu permanecer ali com as crianças, mas diante da incerteza e da falta de orientação oficial, acabou descendo novamente:
“Aí quando a gente desceu, estava uma confusão, ou seja, não teve nada, de evacuação, brigadista indicando para onde ir, para onde não ir”, contou.
Em nota, o Shopping Tijuca informou que a evacuação do empreendimento, do subsolo ao último pavimento, foi realizada de forma gradual, conforme os protocolos de segurança (veja a íntegra da nota ao fim da reportagem).
Além da alta temperatura, os agentes relataram dificuldades de acesso por causa de ferros retorcidos, grande quantidade de destroços e destruição da estrutura interna da loja.
De acordo com a Polícia Civil, será necessária a instalação de escoras para reforçar o solo e reduzir riscos de acidentes no local. Somente após essa intervenção será possível alcançar a área onde os investigadores acreditam que o incêndio teve início. A polícia informou que outras perícias ainda serão realizadas.
O incêndio deixou dois mortos e três feridos em 2026. Durante o combate às chamas, morreram o supervisor de segurança do shopping, Anderson Aguir do Prado, e a bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes, que ajudou a retirar clientes e funcionários antes de desaparecer.
A tragédia levou à interdição total do subsolo e de 17 lojas do térreo do centro comercial. Segundo a delegada adjunta da 19ª DP (Tijuca), Maíra Rodrigues, a perícia é fundamental para esclarecer a origem do fogo.
A Defesa Civil Municipal descartou risco de desabamento: “Vistoriamos todo o shopping e não há risco de desabamento. Não há risco estrutural porque a população pode ficar tranquila quanto a isso”, disse o subsecretário de Defesa Civil Municipal, Rodrigo Gonçalves.
Além da perícia, a Polícia Civil pretende ouvir mais três testemunhas consideradas fundamentais para a investigação: a superintendente do Shopping Tijuca, o chefe da equipe de brigadistas e um dos feridos no incêndio, que segue internado no Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. A data ainda não foi definida.




