Ao longo dos 35 anos, Devon experimentou uma montanha-russa de identidades. Ele iniciou a transição, reverteu e, em seguida, optou pela transição novamente. Devon acredita que a desistência da transição não é discutida o suficiente, talvez devido ao medo de entrar em debates politizados.
“Você, como pessoa trans, está quase sempre… eu acho, a maioria de nós… lutando contra esse medo de ‘vou me arrepender disso?'”, compartilha Devon aos “USA Today“.
Essa jornada, repleta de medos e altos e baixos emocionais, foi documentada no livro “Unlearning Shame” (Desaprendendo a Vergonha), no qual Devon narra as experiências de idas e vindas. Um dos maiores desafios, segundo o autor, é a pressão dos movimentos anti-trans que alimentam o medo do arrependimento da transição.
“Há uma enorme pressão sobre muitos de nós para apresentarmos a nossa história ao público, da forma mais organizada possível; que sempre soubemos, desde crianças, que a transição imediatamente nos fez sentir melhor connosco próprios, que a vida ficou dramaticamente melhor depois disso”, afirmou o americano. “Estamos tentando vender ao público a ideia de que merecemos ter autonomia corporal, porque precisávamos muito, muito disso, morreríamos de outra forma. E estaremos 100% melhores quando conseguirmos essa autonomia. Só não sei como funciona viver numa categoria estigmatizada”, acrescentou ele.
Embora a taxa exata de desistência da transição não seja oficialmente conhecida, pesquisas indicam que pressões familiares e sociais são fatores motivadores, e não porque as pessoas simplesmente acordam decidindo que não são realmente trans, como grupos anti-trans sugerem.
“É melhor para todos se não tratarmos a desistência da transição como um tabu assustador, mas sim como parte do processo de uma pessoa explorando sua autonomia corporal”, comenta Price. “Não é o fim do mundo desistir da transição. Não é o fim do mundo desistir e depois retomar, às vezes esse é o preço de se encontrar em um mundo que não aceita isso”, conclui ele.



