Homicídio em academia do Paraná: 7 pontos-chave do caso do assassinato em Londrina

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Assassinato em academia no Paraná: 7 pontos para entender o caso

Crime aconteceu em Londrina. Lucas Wancler foi filmado esfaqueando David Schmidt
Prado, de 37 anos. Vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Segundo
a polícia, ataque foi motivado por ciúmes. Defesa de Lucas diz que está
acompanhando as investigações.

Homem é assassinado em academia do Paraná após emboscada em estacionamento

Lucas Wancler Ferreira dos Santos está preso após esfaquear e matar David Schmidt Prado, de 37 anos, em uma academia de Londrina, no norte do Paraná. O crime foi filmado por câmeras de segurança. Assista acima.

A última atualização divulgada pelo delegado Magno Miranda, da Polícia Civil do Paraná (PC-PR), confirma que o homicídio, cometido após uma emboscada, teve ciúmes como uma das motivações. Isso porque a esposa de Lucas teve um breve relacionamento com David enquanto o casal estava separado.

O caso ainda está em investigação e aguarda laudos da Polícia Científica para a conclusão do inquérito.

Confira nesta reportagem sete pontos para entender o caso:

Como foi o crime
Como o autor foi preso
Motivação e ciúmes
O que o autor disse em depoimento
Por qual crime o autor deve responder
Quem é a vítima
O que a defesa diz

COMO FOI O CRIME

Conforme o relatório da Polícia Civil, as imagens das câmeras mostram Lucas sentado no estacionamento da academia, mexendo no celular, às 18h41 da segunda-feira (5). Quando David passou por ele, saindo do treino, Lucas se levantou e escondeu a faca atrás do corpo enquanto se aproximava da vítima.

Os dois conversaram brevemente antes de David ser ferido pelo primeiro golpe. Ele tentou fugir, mas foi atingido cinco vezes: quatro enquanto estava no estacionamento e uma depois de pular a catraca e buscar ajuda dentro da academia.

O relatório da polícia ainda cita que, enquanto David “clamava por socorro e por atendimento médico”, Lucas ficou “observando por vários segundos o sofrimento imposto, sem prestar qualquer auxílio”.

O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) foi à academia, mas David não resistiu aos ferimentos e morreu. O corpo da vítima foi levado pela Polícia Científica de Londrina.

COMO O AUTOR FOI PRESO

Um policial militar de folga, que estava treinando na academia, rendeu Lucas e impediu que as agressões continuassem.

“No momento eu imaginei que fosse um assalto. Não estava entendendo o que estava acontecendo. E nesse momento ele começou a gritar ‘chama a ambulância, chama a ambulância, socorro, me ajuda’, e saía muito sangue dele. Peguei meu celular para ligar para a ambulância. E na hora que eu retornei, eu percebi que tinha um cara armado. E nisso eu saquei a arma. No momento que eu saquei a arma, ele jogou a faca no chão e comecei a dar voz de abordagem para ele, pedindo para ele ir pro chão”, o policial militar explicou em depoimento.

Em seguida, o policial relatou que imobilizou Lucas e o questionou o motivo das agressões.

“Eu perguntei para o autor, falei ‘cara, porque você fez isso?’. E ele falou que parece que a vítima tinha mexido com a mulher dele. Nessas palavras que ele falou: ‘ele mexeu com a minha mulher'”, disse.

A Polícia Militar (PM-PR) esteve no estabelecimento, conduziu Lucas à delegacia e apreendeu a faca usada no homicídio.

MOTIVAÇÃO E CIÚMES

Lucas e David não se conheciam, de acordo com a investigação da polícia. Entretanto, o autor e a vítima conversaram por telefone quatro meses antes do homicídio.

Esse contato aconteceu quando a esposa de Lucas contou a ele que se relacionou brevemente com David. Isso porque ela e Lucas estão em processo de divórcio desde antes desse encontro e os dois estavam vivendo em casas separadas.

“Ela nos disse que o motivo dessa separação que já ocorria há alguns meses seriam crises conjugais em virtude de crises financeiras”, explicou Miranda.

Mesmo que David e a mulher não estivessem mais se encontrando ou mantendo contato há quatro meses, a investigação aponta que Lucas criou a emboscada por causa da descoberta.

“Segundo o que a gente colheu de relato de testemunhas, a motivação está diretamente ligada [ao relacionamento]. Não digo nem ciúmes, digo uma revolta, haja vista que eles estavam separados e ele descobriu esse fato”, o delegado disse.

O QUE O AUTOR DISSE EM DEPOIMENTO

Segundo a polícia, Lucas ficou em silêncio durante o depoimento.

Na audiência de custódia, realizada na quarta-feira (7), o homem também não prestou esclarecimentos.

Apesar do pedido da defesa para que ele responda ao inquérito em liberdade, o juiz determinou a prisão preventiva.

POR QUAL CRIME O AUTOR DEVE RESPONDER

Para o delegado, “a autoria é incontestável”. Ele avalia que Lucas planejou o assassinato, por estar com uma faca esperando David sair da academia.

A princípio, o crime é considerado homicídio qualificado por meio cruel e por dificultar a defesa da vítima. O inquérito não foi finalizado e aguarda o laudo de necropsia.

QUEM É A VÍTIMA

David Schmidt Prado tinha de 37 anos e, segundo familiares, deixou um filho de seis anos.

Ele trabalhava no setor administrativo de uma rede de postos de combustíveis em Londrina. A família dele é de Cornélio Procópio, cidade a 67 quilômetros de distância e onde aconteceu o sepultamento, nesta quarta-feira (7).

Ele estava em um relacionamento há três meses com Jheniffer Balardi. Ela conversou com a RPC, afiliada da TV Globo no Paraná e esclareceu que não conhece Lucas e que não está envolvida na suposta motivação por ciúmes.

Segundo Jheniffer, o namorado sempre foi transparente e não deu a entender que estava sendo ameaçado.

O QUE DIZ A DEFESA

Em nota divulgada na terça-feira (6), a advogada Thais Indiara Pereira dos Santos, que representa Lucas, afirmou que se trata ainda de uma investigação inicial.

“Em relação aos fatos recentemente divulgados, a defesa técnica esclarece que o caso encontra-se em fase absolutamente inicial de apuração, ainda pendente de análise judicial e produção completa de provas.

Neste momento, qualquer juízo definitivo sobre autoria, motivação ou enquadramento jurídico revela-se precipitado e incompatível com o devido processo legal. A defesa acompanha os atos investigativos, confia no trabalho das autoridades constituídas e exercerá plenamente o contraditório e a ampla defesa no momento e no local adequados, que são os autos do processo.

A defesa não concorda com a divulgação e utilização de provas ou conteúdos vazados dos autos, tais como interrogatórios, imagens ou registros do local dos fatos, por entender que a exposição indevida de elementos probatórios compromete a regularidade da investigação, o direito de defesa e a própria lisura do processo penal.

Reitera-se que o respeito às garantias constitucionais, especialmente à presunção de inocência e ao direito ao silêncio, é essencial para a condução equilibrada e justa de casos de alta repercussão social.”

O DE entrou em contato com a advogada novamente nesta sexta-feira (9), mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

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