O senador Humberto Costa, do PT-PE, acaba de escolher Luciano Bivar, ex-aliado do ex-presidente Bolsonaro, como seu suplente em sua chapa para a reeleição no Senado. Essa decisão, aprovada pela alta cúpula petista de Pernambuco, sinaliza uma possível mudança na dinâmica política do estado, dada a história de Bivar como um dos líderes do Partido Social Liberal (PSL) durante a campanha de 2018, quando Bolsonaro conquistou a presidência. A escolha do ex-deputado federal não só reafirma a posição da aliança de Costa ao lado do PSB, mas também pode influenciar a concorrência contra a atual governadora Raquel Lyra (PSD), que já se posiciona como uma forte adversária na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
A trajetória política de Luciano Bivar se entrelaça com os conflitos que marcaram a sua saída do PSL, orgão que liderou no passado. Ele rompeu relações com Bolsonaro em 2019 após desavenças internas relacionadas ao fundo partidário e o controle da sigla, especialmente no período em que o partido tentava lançar uma candidatura para a prefeitura do Recife, onde Bivar possui forte influência. Na atual situação política, convém lembrar que Costa anuncia a chapa em um momento onde a Convenção do PT está agendada para próxima segunda-feira, onde será confirmada esta e outras candidaturas importantes, além de preparar o terreno para a escolha do candidato ao governo.
Interlocutores próximos a Humberto Costa veem com bons olhos a escolha de Bivar, ressaltando que o laço de amizade e respeito mútuo se mantiveram mesmo após a separação das esferas de influência política. Com este feito, o PT articula uma campanha mais robusta com apoio de Bivar, cujo histórico de alianças e experiências pode beneficiar a chapa em um contexto eleitoral que prevê desafios. Em um cenário que mistura alianças e rivalidades, Castro e Bivar terão que equilibrar a força do apoio petista com a bagagem política de cada um, principalmente com os resquícios do bolsonarismo que ainda tiram vantagem entre vários eleitores.
O que motiva a escolha de Bivar como suplente?
A decisão de Humberto Costa em nomear Luciano Bivar como seu suplente reflete uma estratégia que, além de garantir um apoio que vem do passado, evita conflitos com a base política que Bivar construiu ao longo dos anos. Ao escolher um ex-concorrente por um momento do PSL, Costa sinaliza uma posição que pode não apenas facilitar alianças, mas também desembaralhar a polarização provocada pelo bolsonarismo em Pernambuco. Costa e Bivar têm um histórico de interações positivas, o que pode reforçar a chapa no atual clima de polarização política.
Em termos eleitorais, o processo se torna mais intrigante na medida em que o PT busca fortalecer suas bases em um estado onde o PSB se posiciona como um frontal adversário da atual governadora Raquel Lyra, cuja candidatura se mantém forte, mesmo com imensas críticas e controvérsias geradas no último período. A ação de Costa pode acelerar a formação de coligações que são essenciais para o avanço durante o pleito, especialmente se Bivar conseguir trazer uma parcela do eleitorado mais simpática às ideias conservadoras.
As movimentações nos bastidores, somadas a essa escolha, podem impactar diretamente a corrida eleitoral. É uma etapa crucial que aprofunda a conexão entre diferentes alas da política celulare, oferecendo uma proposta que ressoa perto de um eleitorado cansado do maniqueísmo e que anseia por soluções práticas. Portanto, toda a articulação de Costa com Bivar pode representar um desdobramento mais amplo na política pernambucana.
Quais são os desdobramentos no embate eleitoral em Pernambuco?
Os contornos do embate eleitoral em Pernambuco se tornam cada vez mais evidentes com esse movimento de Costa. Com a convenção do PT prevista, as articulações para aumentar a capacidade de atração de votos ao lado do pré-candidato ao governo João Campos são uma prioridade. O apoio à reeleição de Campos, que envolve a ex-deputada Marília Arraes (PDT) na chapa do Senado, indicam um esforço de unir forças para abrir espaço nas críticas à Raquel Lyra. O processo se intensifica com a oposição, que já nomeou Eduardo da Fonte (PP) como pré-candidato ao Senado.
Ademais, o que se torna mais relevante neste ciclo é a articulação de forças distintas visando a um consenso em torno da candidatura de Campos e, ao mesmo tempo, uma estratégia de combate à força do atual governo de Raquel Lyra. As projeções vêm sendo discutidas entre lideranças locais, o que reforça que as estratégias e as candidaturas estão alinhadas a um novo modelo de fazer política, diferente do que se estabeleceu nos últimos anos.
Considerando a aproximação com Bivar e o histórico dele de lidar com os temas previdenciários, questões de infraestrutura e administração pública, a expectativa é que esta escolha traga um reforço significativo à chapa de Humberto Costa, retorcendo ao embate um aspecto de resposta às necessidades de um eleitorado mais crítico.
Qual será o futuro político de Bolsonaro após estas movimentações?
Para o ex-presidente Jair Bolsonaro, essa movimentação reflete um ajuste fino na política local que pode gerar consequências diretas sobre sua influência. O ex-totalitário e sua postura têm sido analisadas de perto, principalmente com o crescimento das disputas em Pernambuco e sua relação próxima com Bivar no passado. O distanciamento do PSL representa a fragilidade na imagem de Bolsonaro, especialmente em um momento onde ele se mantém inelegível até 2030, com mais de cinco processos em andamento no STF e no STJ.
Ainda que em um estado como Pernambuco, como ponto crítico na trama política nacional, a decisão de Costa, de unir figuras que outrora estavam ligadas ao bolsonarismo, demonstra uma nova onda de alinhamento que pode impactar significativamente as percepções. Isso porque a presença de Bivar poderá dar ao PT uma força extra em meio aos ataques que o ex-presidente e suas intenções de reabilitação política enfrentam, ao enfrentar o peso de sua própria história e representações no cenário político nacional.
Por fim, a saúde de sua popularidade parece se agudizar frente aos desafios e reações no cenário local e nacional. Essa narrativa ameaça continuar sua isolação frente a um futuro onde a união das oposições poderá traçar novos caminhos.



