Inteligência artificial (IA), em sua nova vertente como IA agêntica, está impactando diretamente o funcionamento de diversas empresas no Brasil, incluindo gigantes como Samsung, Hapvida e IBM. Durante o painel “IA Agêntica na Prática”, realizado no São Paulo Innovation Week, foi evidenciado que a adoção dessa tecnologia não apenas ajuda a otimizar processos, mas também permite que a IA atue de forma autônoma nas operações. A Samsung, por exemplo, está utilizando a IA para analisar cerca de 50 mil avaliações de consumidores em plataformas de e-commerce, um trabalho que seria inviável para sua equipe.

O histórico da adoção de tecnologias análogas remonta à década de 2000, onde muitas empresas começaram a integrar soluções tecnológicas para melhorar a produtividade. A pandemia acelerou esse movimento e, atualmente, com a taxa Selic a 13,25% ao ano e a inflação em torno de 5,89%, as empresas buscam cada vez mais soluções que potencializem a eficiência sem aumentar os custos fixos. Em um cenário onde a inadimplência gira em torno de 5% da população, a pressão por resultados começa a se refletir na necessidade de modernização dos processos.

Economistas e analistas do setor reverberam a importância da IA nas operações empresariais. Lucia Bittar, da Samsung, destacou: “Com a IA, conseguimos ler a nossa plataforma e as dos nossos parceiros, aumentando a eficiência do nosso marketing e liberando a equipe para funções mais estratégicas.” Assim, as reações iniciais indicam um otimismo sobre o crescimento dos negócios e a possibilidade de redução nas taxas operacionais.

Como a IA agêntica melhora a produtividade?

A aplicação da IA agêntica permite que as empresas obtenham insights valiosos a partir de grandes volumes de dados. No caso da Hapvida, por exemplo, a assistente virtual Eugênia triagem de usuários antes de encaminhá-los para um atendente. “A Eugênia é multiagente e consegue fazer toda a triagem antes da venda, economizando tempo e aumentando a eficiência”, explica Bernardo Marotta, diretor de marketing da Hapvida. Esse tipo de abordagem é essencial em um setor como o de saúde, onde a complexidade do atendimento pode gerar lentidão e insatisfação entre os clientes.

À medida que essas inovações vão sendo inseridas no mercado, as perspectivas de crescimento se tornam mais claras. A IBM Brasil, com o uso do método Client Zero, conseguiu otimizar suas operações em R$ 4 bilhões nos últimos anos, um resultado muito superior à expectativa inicial de R$ 2,5 bilhões em dois ou três anos. Para o consumidor final, isso significa aumentos de eficiência nos serviços prestados e potencial redução em custos.

Portanto, as implicações diretas na economia vão além da mera automação. A redução do tempo gasto em tarefas repetitivas permite que os colaboradores se concentrem em atividades de maior valor agregado, refletindo positivamente na qualidade do atendimento ao cliente e na satisfação geral.

Quais os impactos no mercado de trabalho?

O impacto da IA no mercado de trabalho gera debates acalorados. Com a automação crescente, muitos temem pela redução de empregos. No entanto, os dados mostram que empresas como a IBM afirmam que a adoção de IA não levou a cortes significativos no quadro de funcionários. Ao contrário, as equipes estão se remodelando para focar em habilidades que a tecnologia ainda não consegue replicar. “A IA não influenciou em reduzir o número de funcionários. Estamos adaptando nossas capacidades”, esclarece Fabrício Lira, diretor de IA e Dados da IBM Brasil.

Analisando o comportamento do mercado, vemos que a educação financeira se torna imprescindível para os trabalhadores se adaptarem a essa nova realidade. O que se observa é que, de acordo com um estudo recente, apenas 20% dos trabalhadores brasileiros aposta na capacitação contínua em tecnologia para melhorar suas capacidades profissionais. Portanto, a formação e aprimoramento contínuos em tecnologias digitais são essenciais para aqueles que buscam se destacar no futuro mercado.

Para os consumidores, especialmente os endividados, a realidade se torna ainda mais complexa. A automatização pode representar um alívio em termos de atendimento, mas o controle financeiro e a educação sobre consumo consciente são imperativas diante do atual cenário econômico.

Quais são as previsões futuras para o uso da IA?

Diante dos resultados positivos apresentados até agora, a tendência é que a IA agêntica se expanda ainda mais nas operações empresariais. Empresas de diferentes setores estão cada vez mais abertas a explorar esse novo modelo. O painel do SPIW deixou claro que a inovação nas corporações não é mais uma opção, mas uma necessidade para garantir competitividade. O monitoramento constante dos dados e a utilização de algoritmos inteligentes se tornarão práticas fundamentais.

Com o avanço de tecnologias como machine learning e big data, espera-se que mais organizações sigam o exemplo de empresas líderes de mercado. O uso de IA para personalização de serviços e produtos tende a impactar diretamente o comportamento de compra do consumidor e a dinâmica do mercado.

Análises de especialistas apontam que as políticas públicas e a regulação em torno da IA também precisarão evoluir para garantir que os benefícios sociais e econômicos se concretizem de forma sustentável e benéfica para a sociedade em geral. A educação financeira associada a essa nova era de automação será crucial para que os cidadãos se adaptem e prosperem.