Ideval Anselmo: vida e legado do compositor de samba-enredo no Carnaval de SP, aos 85 anos

ideval-anselmo3A-vida-e-legado-do-compositor-de-samba-enredo-no-carnaval-de-sp2C-aos-85-anos

Ideval Anselmo, um dos maiores compositores de samba-enredo do carnaval paulista, morre aos 85 anos

Sambista começou sua história na tradicional escola Camisa Verde e Branco, em 1969. Na capital paulista, Anselmo também escreveu sambas premiados para Tom Maior, Rosas e Peruche. Sua icônica composição ‘Narainã, a Alvorada dos Pássaros’ foi eleito o samba-enredo do século pela Folha de São Paulo.

1 de 1 Cantor e compositor Ideval Anselmo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Cantor e compositor Ideval Anselmo — Foto: Reprodução/Redes sociais

O compositor Ideval Anselmo morreu, aos 85 anos, nesta quarta-feira (18), em São Paulo. Referência histórica do samba-enredo da capital paulista, ele faleceu na Quarta-Feira de Cinzas, data simbólica para o universo do carnaval ao qual dedicou mais de cinco décadas.

Durante sua longa carreira no carnaval, Anselmo foi um dos criadores de “Narainã, a Alvorada dos Pássaros”, samba-enredo de 1977 da Camisa Verde e Branco, eleito o “samba do século” pela Folha de S.Paulo e apontado por muitos como o maior da história do carnaval paulistano.

Nascido em 18 de setembro de 1940, na cidade de Catanduva, no interior de São Paulo, Ideval passou a infância e a adolescência em Votuporanga. Criado em uma família de baixa renda, teve o despertar musical dentro de casa: o avô tocava acordeão, a avó cantava e o pai dominava o cavaquinho. Ainda jovem, frequentou a escola de música da prefeitura e, mesmo com um trompete de segunda mão e de difícil afinação, persistiu nos estudos.

O velório do compositor será realizado no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, nesta quinta-feira (19), das 8h30 às 12h30.

DA FÁBRICA AO SAMBA-ENREDO

Na década de 1960, mudou-se para a capital paulista, onde trabalhou como torneiro mecânico. No ambiente da fábrica, utilizava o batuque das máquinas de torno e fresa como métrica para criar seus primeiros versos, muitas vezes transformando situações do cotidiano em paródias bem-humoradas.

Seu contato mais próximo com o carnaval começou ao acompanhar os antigos cordões paulistanos. A entrada definitiva no mundo das escolas de samba ocorreu em 1971, quando passou a integrar a tradicional Camisa Verde e Branco, motivado pela curiosidade de entender a construção dos desfiles.

Em 1972, logo em sua primeira disputa na ala de compositores, teve o samba “Literatura de Cordel” escolhido para representar a escola na avenida. O sucesso marcou o início de uma trajetória que ajudaria a transformar o antigo cordão em uma das potências do carnaval paulistano.

PARCERIAS, TÍTULOS E CLÁSSICOS

Ao lado de parceiros como Zelão e Miro, Ideval formou uma tríade de compositores que marcou época no Camisa Verde e Branco. Em 1974, conquistou o título com o enredo “Nega Fulô”. A união criativa também resultou em um tricampeonato em 1976 e consolidou seu estilo, caracterizado por refrões simples, melodiosos e de forte apelo popular.

Em 1977 criaram a criação “Narainã, a Alvorada dos Pássaros”, samba-enredo da Camisa Verde e Branco, eleito o “samba do século”. Já sozinho em 1979, Ideval escreveu, em um papel de pão, o samba “Almôndegas de Ouro”, que acabaria vencedor daquele carnaval.

Na década de 1980, expandiu sua atuação para outras agremiações. Colaborou com a fundação da Tom Maior, conquistou o bicampeonato na Rosas de Ouro em 1984 e, na Unidos do Peruche, compôs hinos marcantes como “Água Cristalina” e “Os Sete Tronos dos Divinos Orixás”, de 1989, obra reconhecida por sua força ao transpor a religiosidade e a herança africana para o samba-enredo.

Suas composições também foram interpretadas por nomes como Jamelão, Eliana de Lima, Thobias da Vai-Vai, Fabiana Cozza e Denise Camargo (1950–2009), entre outros intérpretes do samba. Veja os vídeos que estão em alta no DE.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp