Golpistas usam tela compartilhada para induzir idoso a pagar R$ 14,5 mil em dívidas de terceiros no interior de SP
Vítima, que é de Presidente Prudente e tem 69 anos, acreditou estar conversando com advogado sobre causa ganha. No estado de São Paulo, nove em cada dez pessoas já foram alvo de tentativas de golpes digitais.
Idoso de 69 anos perde R$ 15 mil em golpe do falso advogado no interior de SP
Um aposentado de 69 anos, morador do bairro Cecap, em Presidente Prudente (SP), perdeu mais de R$ 14,5 mil ao cair no “golpe do Falso Advogado”, nesta terça-feira (3).
O crime, que envolveu engenharia social e uso de recursos tecnológicos, levou a vítima a pagar débitos estaduais vinculados a três pessoas desconhecidas, residentes em Minas Gerais.
A abordagem começou pelo WhatsApp, quando um golpista se passou pelo advogado do aposentado e afirmou que uma ação de correção salarial havia sido vencida, informando que o valor seria liberado ainda naquele dia.
Para “orientar” o procedimento e supostamente evitar bloqueios, outro golpista, que se apresentou como advogado e usava o nome de “Dr. Paulo”, entrou em contato com a vítima e iniciou uma chamada de vídeo.
Durante a ligação, o criminoso convenceu o idoso a compartilhar a tela do celular e acessar o aplicativo bancário. Com o controle visual das ações da vítima, o estelionatário forneceu chaves PIX e a induziu a realizar três pagamentos, nos valores de R$ 4.476,54, R$ 2.052,83 e R$ 8.051,30.
As investigações apontaram que o dinheiro não foi transferido para uma conta bancária comum, mas usado para quitar débitos de terceiros junto ao Governo de Minas Gerais.
Os beneficiários já foram identificados e dois deles possuem registros de armas de fogo em seus nomes.
O caso foi registrado como estelionato qualificado por fraude eletrônica.
ALTA DE 45% NAS DENÚNCIAS
A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Presidente Prudente aponta que, entre 2024 e 2025, houve um aumento de 45% nas denúncias envolvendo pessoas se passando por advogados.
Os criminosos usam dados de processos judiciais, que são públicos, para dar veracidade à farsa. Segundo o advogado e vice-presidente da OAB de Presidente Prudente, Marco Goulart, a primeira medida de segurança é confirmar a identidade do profissional pelo número de telefone.
> “Se seu advogado trocou o telefone, provavelmente ele avisaria antes. É muita
> coincidência o advogado trocar o telefone e pedir que entre em contato com uma
> emergência, que vai perder aquele processo”, alertou o advogado em entrevista
> à TV TEM.
Marco ainda orientou que o cliente deve ter certeza de quem é o interlocutor, preferencialmente indo até o escritório ou fazendo contato pelo telefone antigo ou fixo. Caso o crime ocorra, ele reforça a necessidade de registrar o Boletim de Ocorrência e acionar os mecanismos bancários.
“Também tem o mecanismo dos bancos, que se chama MED, e procurar o seu verdadeiro advogado”, finalizou.
As táticas incluem desde a invasão e clonagem de WhatsApp de escritórios até o uso de fotos e logotipos oficiais.
O cenário vivido em Presidente Prudente reflete uma realidade estadual: um estudo da Fundação Seade, realizado em 2025, aponta que 88% dos moradores do Estado de São Paulo (cerca de 30 milhões de pessoas) já sofreram tentativas de golpe digital.
Outros dados alarmantes são:
– 9 em cada 10 pessoas já foram alvo de tentativas de fraudes;
– 40% da população já comprou em lojas virtuais que não existiam;
– 24% foram vítimas de fraude ou clonagem de cartão nos últimos 12 meses;
– Um em cada quatro moradores de SP foi vítima de golpe ou tentativa via Pix.
A percepção de insegurança é quase unânime: 95% dos entrevistados deste estudo acreditam que os golpes estão aumentando, enquanto apenas 12% sentem confiança de que não serão as próximas vítimas.
A pesquisa indica que pessoas entre 30 e 59 anos, com ensino superior e renda mais alta, estão entre os principais alvos das tentativas.




