Idosos: Goiás registra quatro denúncias de violência por dia, em 2022

Agressores, em sua grande maioria, são pessoas próximas das vítimas e que, em tese, teriam a responsabilidade de cuidar delas

Os números de denúncias de violência contra o idoso seguem em alta em Goiás, segundo dados da Secretária da Secretária de Segurança Pública (SSP) e das duas delegacias especializadas no atendimento ao idoso. Nos primeiros cinco meses do ano, foram registradas quatro denúncias de violência contra idosos por dia. Essa modalidade de crime vem na contramão da maioria, que apresentam tendência de queda no estado.

Ao todo, foram 615 registros, sendo 415 casos na Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso de Goiânia (DEAI) e outros 200 na especializada de Anápolis, até o dia 21 de abril. Em todo ano de 2021, as delegacias oficializaram cerca de 1.049 ocorrências, conforme a SSP.

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No dia 30 de maio, por exemplo, uma idosa, de 86 anos, foi resgatada em condições precárias, no Jardim América, em Goiânia. Ela estava sendo mantida presa em casa, sem nenhum tipo de assistência dada pelo filho, de 42 anos, que foi denunciado por estar roubando a aposentadoria da mãe. O homem que apresentava traços de dependência química não deixava ninguém se aproximar da idosa, que chegou a defendê-lo no momento da prisão, alegando que o filho único a tratava bem.

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Além de estar desnutrida e bastante debilitada, a mulher apresentava ferimentos na cabeça, inclusive, com a presença de vermes. Ao ser questionada sobre a causa dos machucados, a idosa disse que teria caído e se machucado. Os ferimentos haviam acontecido há dias, sendo que a mulher não estava sendo cuidada pelo filho. A casa também não tinha alimento, apenas macarrão instantâneo e cerveja. O homem acabou sendo preso, mas foi libertado dias depois em uma audiência de custódia.

Perfil dos agressores

Conforme a delegada Alyne Barça, grande parte das pessoas que praticam atos de violência são próximas ao idoso, como filhos, netos e até cuidadores. Um dos crimes mais comuns, de acordo com a policial, está ralacionado aos maus-tratos, onde o responsável pela vítima também rouba a renda dela, como no caso da idosa que era mantida em cárcere privado pelo filho, enquanto ele se apossava da sua aposentadoria, caso já citado no texto.

Por mais que os crimes contra a pessoa idosa sejam comuns, a pena para os agressores é pequena, se comparada com outros crimes. Casos de maus-tratos, agressão física e verbal, além de exploração financeira, por exemplo, possuem penas entre seis meses e quatro anos, visto que o Estatuto do Idoso não permite uma pena extensa.

“Um levantamento realizado pela Justiça mostrou que os crimes contra a pessoa idosa aumentou mais de 60% durante a pandemia. Isso porque as pessoas começaram a ficar mais em casa. Ou seja, o agressor e a vítima passam mais tempo juntas. Os principais crimes são: abandono, agressão física e verbal, além de exploração financeira, quando a pessoa se interessa pela renda da vítima e a deixa sem nem um tipo de renda, nem mesmo para alimentação e cuidado pessoal. Infelizmente, hoje a violência contra o idoso é bastante comum”, contou.

Denúncia

Para denunciar esse tipo de crime, a Polícia Civil (PC) disponibiliza duas delegacias especializadas no atendimento ao idoso, além de contatos exclusivos para denúncias como o Disque 197, Disque 180 e o fixo das delegacia de Goiânia (62 3201-1501) e Anápolis (62 – 3328-2736). Os crimes também podem ser denunciados por meio do site da corporação.

“As denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia, sendo a identidade da pessoa será mantida em sigilo. Acredito que é preciso fazer ações sócio-educativas para incentivar as pessoas que querem zelar desses idosos. Além disso, o jovem precisa refletir. Afinal, o jovem de hoje será o idoso de amanhã. Proteger o idoso resguardar o nosso futuro”, concluiu.

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