A Avenida Liberdade foi inaugurada na Grande Belém, integrando três municípios da Região Metropolitana com trechos sem iluminação. Segundo o governo do Pará, o problema foi resolvido. De acordo com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), a falta de luz ocorreu por causa do furto de fiação elétrica em pontos específicos da via, que tem 14 quilômetros de extensão.

A inauguração ocorreu por volta das 10h da manhã de sexta (3). À noite, motoristas e ciclistas que passaram pelo local relataram a ausência total de iluminação em alguns trechos da pista.

Com investimento de R$ 410 milhões, a obra tinha entrega prevista para outubro de 2025, antes da Conferência do Clima da ONU (COP30), mas só foi concluída cinco meses após o evento.

Via expressa sem interrupções

A avenida Liberdade foi entregue sob a promessa de revolucionar a mobilidade na Região Metropolitana de Belém, criando uma nova alternativa de acesso à capital. A Alça Viária é um complexo rodoviário que conecta a Região Metropolitana de Belém ao interior do Pará e ao Porto de Vila do Conde, entre a BR-316 e a entrada da nova via.

Segundo o governo do Pará, a avenida Liberdade é a primeira via expressa sem interrupções da Amazônia, visando beneficiar mais de dois milhões de pessoas. A expectativa é de maior fluidez no trânsito, redução do tempo de deslocamento e o desafogamento de vias na Grande Belém.

Além disso, o corredor também pode facilitar o acesso ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, impactando a ligação com as regiões sul e sudeste do estado.

Críticas, impactos e ações judiciais

Apesar das promessas de progresso, a construção da Avenida Liberdade é alvo de críticas de moradores e ambientalistas. Famílias ribeirinhas que dependem da pesca e do extrativismo relatam a destruição de meios de subsistência.

O pescador Ivanildo da Silva acrescentou: “O peixe sumiu. O camarão, a gente pega bem pouquinho. A água está poluída”, se referiu ao rio da região, que, segundo ele, recebeu rejeitos e sofreu assoreamento.

A obra, que suprimiu cerca de 72 hectares de floresta, atravessa uma unidade de conservação e impacta pelo menos 250 famílias de povos tradicionais. A Defensoria Pública do Estado do Pará questionou a obra judicialmente por falta de consulta adequada às comunidades.

Posicionamento do governo

Em resposta às acusações, a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade afirmou que a obra da Avenida Liberdade possui “licença ambiental concedida após rigoroso processo de licenciamento, com acompanhamento técnico contínuo para controle de impactos”.

A Semas pontuou que a iniciativa foi debatida em audiências públicas com ampla participação da população e de representantes de comunidades tradicionais. A Secretaria de Infraestrutura informou que enviou equipes técnicas para avaliar possíveis impactos, como os alagamentos relatados.

Com estas ações, o governo busca se posicionar diante das recentes críticas e preocupações levantadas pela população e por órgãos de defesa ambiental.