Índia e Israel encerram primeira rodada de negociações por acordo de livre comércio
O governo Modi defende a rápida conclusão do tratado, e a próxima etapa presencial está marcada para maio de 2026, em Israel. A Índia e Israel concluíram nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, a primeira rodada de negociações do Acordo de Livre Comércio Índia–Israel (FTA), em um movimento que busca ampliar o intercâmbio comercial e criar um marco mais previsível para empresas dos dois países. As informações foram divulgadas pela agência ANI, com base em comunicado do Ministério do Comércio e Indústria da Índia. A rodada ocorreu entre 23 e 26 de fevereiro de 2026, em Nova Déli, e foi apresentada pelo governo indiano como um avanço concreto na tentativa de transformar em resultados econômicos o que Nova Déli descreve como potencial ainda não explorado na relação bilateral.
O anúncio vem na sequência da visita de Estado de dois dias do primeiro-ministro Narendra Modi a Israel. Na quarta-feira, 25 de fevereiro, ao discursar em uma sessão especial no Knesset, em Jerusalém, Modi defendeu a finalização antecipada de um acordo de livre comércio ambicioso, com o objetivo de realizar o potencial comercial ainda não aproveitado entre os dois países. O entendimento, segundo o relato oficial, é que um FTA pode acelerar a diversificação e o aumento do comércio, reduzindo incertezas regulatórias e criando referências estáveis para investimento, cadeias produtivas e prestação de serviços.
Durante os quatro dias de reuniões, Índia e Israel discutiram um conjunto amplo de temas típicos de acordos comerciais modernos. Entre os capítulos abordados, estiveram: comércio de bens e de serviços, regras de origem, medidas sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas ao comércio, procedimentos aduaneiros, direitos de propriedade intelectual e comércio digital. De acordo com a informação oficial, as discussões ocorreram de forma “construtiva” e com orientação “voltada ao futuro”, com reafirmação do objetivo de negociar um acordo abrangente, equilibrado e mutuamente benéfico.
O processo foi organizado dentro de uma moldura institucional definida por um Termo de Referência (ToR), assinado em novembro de 2025, que estabeleceu um formato estruturado para as negociações e delimitou áreas identificadas para ampliar comércio e cooperação econômica. Ainda segundo o governo indiano, o ministro do Comércio e Indústria, Piyush Goyal, reuniu-se com a delegação israelense em visita e enfatizou que os dois lados devem trabalhar de maneira próxima para destravar novas oportunidades em comércio, inovação e crescimento, fortalecendo a parceria entre os países. Goyal também incentivou que as delegações busquem um acordo comercial moderno, abrangente e preparado para o futuro.
Além da conclusão da primeira etapa, Índia e Israel concordaram em manter contatos intersseccionais de forma virtual, com o objetivo de sustentar o ritmo do processo e avançar entre rodadas presenciais. A próxima rodada de negociações presenciais está marcada para maio de 2026, desta vez em Israel, de acordo com a programação anunciada. O Ministério do Comércio e Indústria da Índia informou que o comércio bilateral de mercadorias entre Índia e Israel ficou em aproximadamente US$ 3,62 bilhões no ano fiscal 2024–25. Na avaliação apresentada, o FTA pode ampliar fluxos comerciais ao oferecer um ambiente mais estável e previsível para empresas dos dois lados. As duas partes também apontaram oportunidades em setores considerados-chave, incluindo: máquinas e equipamentos, químicos, têxteis, agricultura, dispositivos médicos, tecnologias avançadas e um acordo que pode reposicionar a parceria econômica.
Ao encerrar a primeira rodada, o governo indiano apresentou o resultado como sinal de compromisso compartilhado de aprofundar a parceria econômica e criar novas oportunidades para diferentes atores do comércio e do investimento. Com a próxima rodada marcada e canais virtuais de negociação já previstos, o ritmo do processo agora dependerá da capacidade de converter convergências técnicas em compromissos concretos — especialmente em capítulos sensíveis como regras de origem, barreiras técnicas, comércio digital e propriedade intelectual — sem perder o impulso político defendido publicamente por Modi durante a visita a Israel.




