Influencer Lobo do Batel é liberado pela Justiça em meio a suspeita de golpe bilionário

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Justiça concede liberdade provisória a Lobo do Batel, influencer suspeito de chefiar golpe bilionário

José Oswaldo Dell’Agnolo foi preso em um hotel de luxo em Itapema, no litoral de SC, em dezembro de 2025. Segundo as investigações da PF, ele é o principal suspeito de comandar um esquema financeiro clandestino.

José Oswaldo Dell’Agnolo é conhecido nas redes como Lobo do Batel — Foto: Reprodução/Redes sociais

O influencer José Oswaldo Dell’Agnolo, conhecido como Lobo do Batel e considerado o principal suspeito de chefiar um golpe bilionário por meio de um esquema financeiro clandestino, teve liberdade provisória concedida pela Justiça Federal. A decisão é de quinta-feira (22).

De acordo com o documento, assinado pela juíza Gabriela Hardt, da 23ª Vara Federal de Curitiba (PR), a prisão preventiva foi substituída por uma série de medidas cautelares, incluindo a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica. Veja a lista abaixo:

* Proibido de manter contato com acusados, investigados e vítimas;
* Proibido de exercer qualquer função no mercado financeiro;
* Proibido de fazer qualquer tipo de operação comercial;
* Uso de tornozeleira eletrônica;
* Proibido de sair da região metropolitana de Curitiba;
* Recolher-se em dias de folga ou no período noturno;
* Estar em prisão domiciliar.

Segundo a juíza, as medidas cautelares foram aprovadas porque os crimes supostamente cometidos por José Oswaldo não possuem caráter violento ou sequer representam grave ameaça à pessoa. Além disso, ela alega que o influencer foi preso em território nacional e próximo à região da operação da Polícia Federal, mesmo tendo propriedades em divisas estrangeiras e sendo procurado pela Difusão Vermelha da Interpol.

Lobo do Batel é natural de Piraju, no interior de São Paulo. A Polícia Militar informou que ele é investigado por integrar um esquema de fraudes envolvendo plataformas digitais de investimento, com vítimas em diversas regiões do país.

No momento da prisão, os agentes encontraram mais de R$ 5 milhões em dinheiro vivo, em reais e dólares, além de relógios e celulares. A captura dele ocorreu após os policiais receberem informações de que o suspeito estaria hospedado em um hotel no bairro Ilhota.

Em nota enviada ao DE, a defesa de José Oswaldo afirma que o investigado nunca tentou fugir do sistema prisional e o pedido de substituição foi feito apenas 40 dias depois da prisão a pedido dele. Além disso, os representantes informaram que o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou a favor da substituição da prisão preventiva, mas que isso não representa impunidade. José Oswaldo deve atender a todos os chamados da Justiça para esclarecer os fatos.

GOLPES EM PIRAJU

A Polícia Civil aponta que José Oswaldo causou um prejuízo de ao menos R$ 250 mil em Piraju. A corporação afirma que há seis boletins de ocorrência por estelionato registrados contra ele no município, que tem pouco mais de 30 mil habitantes.

O suspeito era considerado foragido desde agosto de 2025, quando foi registrado em Piraju um boletim de ocorrência relacionado ao seu desaparecimento.

De acordo com a polícia, o valor já identificado como prejuízo em Piraju supera o orçamento anual de três departamentos da prefeitura:

* Departamento de Governo e Gestão – R$ 225 mil;
* Departamento de Planejamento – R$ 131 mil;
* Unidade de Controle Interno: R$ 118 mil.

PRISÃO DE POLICIAIS POR SUBORNO

Após a prisão de José Oswaldo, dois policiais militares de Santa Catarina foram presos suspeitos de cobrar dinheiro para não deter o investidor.

Segundo a investigação, Bruno Israel dos Santos Czerwonka e Milton Prestes dos Santos Junior teriam ido ao local indicado por denúncia sobre o paradeiro de José Oswaldo e saído com cerca de R$ 500 mil e dólares.

A defesa dos policiais afirmou, na época, que nenhum valor foi apreendido com eles e questionou a consistência da denúncia.

APONTADO COMO LÍDER DE ESQUEMA BILIONÁRIO

Seis dias antes da prisão em Itapema, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra grupos suspeitos de movimentar mais de R$ 1 bilhão em um esquema de instituições financeiras clandestinas. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de ativos que podem chegar a R$ 66 milhões e do sequestro de imóveis e veículos para garantir o ressarcimento das vítimas.

Segundo a PF, os investigados usavam empresas ligadas à área de tecnologia e um banco digital para captar recursos, oferecendo contratos com rentabilidade fixa, baixo risco e ganhos acima do mercado, alguns deles associados ao uso de supostos algoritmos e inteligência artificial.

ATUAÇÃO IRREGULAR

A investigação apontou que as empresas e o banco digital não tinham autorização da CVM nem do Banco Central para atuar. Após o colapso do esquema, os responsáveis teriam interrompido pagamentos, deixado de prestar contas e passado a ocultar patrimônio.

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