Innospace revela falha do Hanbit-Nano e planeja novo lançamento em 2026

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Antes de explodir, o foguete Hanbit-Nano sofreu uma falha e se fragmentou após passar por uma camada de nuvens; aponta Innospace

Nessa segunda-feira (29), a Innospace, responsável pelo foguete, deu detalhes sobre a explosão do Hanbit-Nano e confirmou que nova tentativa de lançamento está prevista para 2026, também em Alcântara.

O foguete Hanbit-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, sofreu uma falha e se fragmentou em três ou quatro partes. Ele explodiu 30 segundos após a decolagem no Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, no dia 23 de dezembro, encerrando a missão prematuramente. A informação foi dada nessa segunda-feira (29) pela Innospace, que forneceu detalhes sobre a explosão.

O lançamento fazia parte da missão Spaceward, o primeiro teste comercial da companhia. Não houve vítimas nem danos ao solo.

Segundo a Innospace, o veículo de dois estágios decolou normalmente às 10h13 (horário da Coreia) — 22h13 do dia 22 no Brasil — e iniciou o voo ao longo da trajetória vertical planejada. O motor híbrido de 25 toneladas funcionou bem na fase inicial, registrando um marco mundial: o primeiro voo de um motor híbrido de médio a grande porte.

Ao atravessar uma camada de nuvens, a comunicação com o solo foi perdida. Logo depois, o foguete apresentou falha, se fragmentou em três ou quatro partes e caiu dentro da área de segurança. O Sistema de Terminação de Voo foi acionado, provocando a explosão controlada no impacto com o solo. A empresa informou que o procedimento seguiu protocolos internacionais acordados com a Força Aérea Brasileira.

“Foram confirmados sinais de perda de empuxo do motor do primeiro estágio. Isso resultou na perda de empuxo e de atitude do veículo, que caiu em queda livre na forma do primeiro e segundo estágios e outros pequenos fragmentos. Como o Ponto de Impacto Imediato (PII) estava localizado dentro da zona de segurança do local de lançamento, o Sistema de Terminação de Voo (STF) foi ativado de acordo com os procedimentos previamente negociados com a equipe brasileira de controle de segurança para evitar a fragmentação e a presença de materiais perigosos. Isso resultou na explosão do veículo de lançamento no impacto com o solo, encerrando a missão prematuramente”, explicou a empresa.

Apesar da falha, a Innospace destacou que conseguiu coletar informações importantes da decolagem e da fase inicial do voo. Parte dos destroços foi recuperada e será usada em análises técnicas. A carga útil e o satélite do cliente estão cobertos por seguro.

“A indústria de veículos de lançamento espacial é um campo altamente técnico, onde milhares de variáveis operam simultaneamente em todo o processo, desde o projeto, fabricação, testes em solo e integração, operação de lançamento e voo. Apenas um número limitado de empresas alcançou o estágio de lançamento comercial efetivo. Em particular, o primeiro lançamento comercial é considerado o patamar mais alto, exigindo não apenas perfeição tecnológica, mas também confiabilidade reproduzível e o cumprimento simultâneo de padrões de segurança”, afirmou o CEO da Innospace, Kim Soo-jong.

A Innospace afirmou, ainda, que iniciou nesta terça uma análise preliminar da causa da interrupção do voo, com base nos instrumentos de voo e nos dados de rastreamento da Força Aérea Brasileira. No entanto, a causa definitiva da falha no lançamento será confirmada por meio de uma investigação e revisão oficiais conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes de Aviação (CENIPA) da Força Aérea Brasileira.

A companhia disse, também, que o episódio não deve afetar contratos futuros. Uma nova tentativa de lançamento do Hanbit-Nano está prevista para o próximo ano, também em Alcântara, em data a ser definida após a conclusão da investigação.

“Pedimos sinceras desculpas por não termos conseguido atender às expectativas de nossos clientes que escolheram nosso serviço de lançamento, apesar de ser nosso primeiro lançamento, devido ao encerramento antecipado da missão de lançamento comercial. Estaremos em contato para discutir e oferecer serviços mais confiáveis no futuro. Como acumulamos capacidades de ciclo completo, desde o desenvolvimento, projeto e fabricação do veículo de lançamento, integração em solo, lançamento e operação de voo, por meio deste lançamento, faremos o possível não apenas para aprimorar nossa perfeição tecnológica e confiabilidade com base nos dados de voo adquiridos, mas também para aumentar a probabilidade de lançamentos bem-sucedidos no futuro”, declarou o CEO Kim Soo-jong.

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