Inquérito que investiga morte do ‘Anão da Solidão’ é concluído sem indiciamento após 3 meses em SC
Ernesto Schmitz Neto foi morto por um policial militar em janeiro durante uma ocorrência de ameaça na Praia da Solidão, na região Sul de Florianópolis.
Vídeo mostra momento em que PMs atiram contra Betinho, o ‘Anão da Solidão’
A investigação sobre a morte de Ernesto Schmitz Neto, conhecido “Anão da Solidão”, foi concluída pela Polícia Civil após quase três meses sem nenhum indiciamento. Neto, de 48 anos, foi morto com quatro tiros por um policial militar em meio a uma ocorrência de ameaça contra uma vizinha dentro da própria casa na Praia da Solidão, região sul de Florianópolis.
Segundo o laudo cadavérico, os disparos atingiram o peito e o abdômen da vítima. A ocorrência aconteceu na manhã de 4 de janeiro deste ano. Com Neto, a PM apreendeu uma faca de serra e uma pedra. O exame toxicológico apontou que ele tinha resquícios de cocaína no sangue.
Além da investigação da Polícia Civil, a PM abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar dentro da corporação as circunstâncias e detalhes da dinâmica da morte. Segundo o comando, apurações e diligências continuam em andamento.
Betinho, o “Anão da Solidão”, tinha 48 anos e era conhecido na comunidade. O inquérito da Polícia Civil, relatado pelo delegado Ênio Mattos, foi encaminhado ao Poder Judiciário no dia 20 de março. Nele, o delegado não diz o porquê de não haver indiciamento na investigação.
O documento agora está com o Ministério Público (MP), na 37ª Promotoria de Justiça, responsável por processos que tratam de crimes contra a vida e podem ir para o Tribunal do Júri.
O processo está em segredo de Justiça. Até quinta-feira (3), o promotor responsável pelo caso analisava o documento encaminhado pela Polícia Civil. O magistrado pode oferecer denúncia contra o policial militar que atirou em Neto, pedir novas diligências ou arquivar a investigação.
Conhecido na Praia da Solidão como Betinho, Neto possuía nanismo, tinha 1,24 metro de altura, e sofria crises nervosas com acessos agressividade, segundo relatos de familiares. No dia da morte, a PM foi chamada para atender uma ocorrência de ameaça entre ele e uma vizinha, que era inquilina no conjunto de imóveis que o homem mantinha em um amplo terreno.
Em um vídeo feito por moradores da região no dia da morte, é possível ouvir o barulho dos tiros e parte da ação da PM. À época, família e amigos questionaram a ação dos policiais e disseram que Betinho era facilmente controlado quando possuía crises nervosas, sem necessidade do uso de violência.
A vizinha de Neto relatou à PM, no dia da ocorrência, que desde que se mudou para aquela casa, vinha sofrendo com ameaças de Betinho, que estaria constantemente sob efeito de drogas. Naquela ocasião, ele teria invadido a casa da mulher com faca e, na sequência, com uma serra. A PM então foi chamada. Durante a conversa, Neto teria aparecido na porta da sacada e “feito menção de lançar uma pedra grande sobre a guarnição, que estava no andar de baixo da casa”, segundo o relato policial.
A morte de Betinho foi uma das 20 registradas em intervenções da Polícia Militar de Santa Catarina nos primeiros dois meses de 2025. O número é o maior registrado para o período de janeiro e fevereiro desde 2022, último ano em que os dados do primeiro bimestre estão disponíveis no site da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP). As mortes em intervenções da Polícia Civil também cresceram no primeiro bimestre deste ano. Foram três pessoas entre janeiro e fevereiro. Nos dois primeiros meses de 2022 e 2023, nenhuma morte foi registrada, enquanto que no ano passado, houve apenas uma morte nessas situações.