Veja quais são as suspeitas contra Lulinha na investigação sobre fraudes no INSS
Filho do presidente da República teve quebras de sigilos aprovadas pelo ministro
do STF André Mendonça e pela CPMI que investiga o tema.
As suspeitas contra Fábio Luís Lula
[https://g1.globo.com/politica/politico/lula/] da Silva, o Lulinha, filho do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas investigações da Polícia Federal
(PF) sobre desvios no INSS aparecem em mensagens trocadas entre dois
investigados, um envelope com o nome dele e o depoimento de uma testemunha.
Parlamentares brigam em CPI do INSS
Os indícios sobre o envolvimento de Lulinha no tema levaram a Polícia Federal a
pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a quebra de seus sigilos bancário,
fiscal e telemático (de mensagens e e-mails), autorizada pelo ministro André
Mendonça em janeiro.
Ele também se tornou alvo da CPMI que investiga o tema no Congresso, com a
sessão que aprovou a quebra de seus sigilos sendo marcada por confusão e
empurra-empurra entre parlamentares.
CARECA DO INSS
O esquema no INSS tinha muitos núcleos com atuações distintas e muitas entidades
associativas e sindicatos envolvidos.
A investigação do tema levou à Operação Sem Desconto,
realizada em abril de 2025.
Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula. — Foto:
Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo
As suspeitas contra Lulinha aparecem na parte da investigação relacionada ao
lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS,
suspeito de ser um dos principais operadores de desvios de aposentadorias por
meio de entidades de fachada.
Em dezembro, decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a PF a
deflagrar a quinta fase da Operação Sem Desconto registrou que foram
identificados cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, de
uma empresa do Careca do INSS — a Brasília Consultoria Empresarial S/A — para
a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., que pertence a outra
suspeita, Roberta Moreira Luchsinger.
Roberta é amiga de Lulinha e mantinha relações pessoais e de negócios com o
Careca e outras pessoas ligadas a ele. A empresária nega irregularidades.
Em uma mensagem trocada entre o Careca e um de seus sócios, também investigado,
o lobista diz que um dos repasses de R$ 300 mil para a empresa de Roberta seria
para “o filho do rapaz”. A decisão de Mendonça não esclarece quem seria essa
pessoa. A suspeita é que seja Lulinha.
Depoimento do Careca do INSS na CPI — Foto: Wilton Júnior/Estadão
Conteúdo
ENVELOPE
Também consta da decisão de Mendonça de dezembro que a PF encontrou um diálogo
entre Roberta e o Careca.
Nessa conversa, Roberta afirma que “acharam um envelope com o nome do nosso
amigo no dia da busca e apreensão”, em referência a uma fase anterior da
Operação Sem Desconto. Segundo a PF, o Careca do INSS respondeu com preocupação:
“Putz”.
Na sequência, Roberta enviou mensagem dizendo ao Careca do INSS: “Antônio, some
com esses telefones. Joga fora”.
Além das apreensões, um ex-funcionário do Careca prestou depoimentos à PF e
disse que o lobista mencionava pagamentos para Lulinha.
Os pagamentos, segundo o depoimento dessa testemunha, não eram para que o filho
do presidente atuasse nas fraudes do INSS, mas para que ele fizesse lobby para
uma empresa do Careca, a World Cannabis, conseguir vender medicamentos de
canabidiol ao Ministério da Saúde.
Antunes de fato tentou emplacar vários contratos na Saúde no final de 2024 e
início de 2025 e foi recebido dentro do ministério,
mas nenhum contrato com ele chegou a ser assinado, como mostrou o DE. Em abril
de 2025, a PF deflagrou a Operação Sem Desconto.
Foi a análise do material apreendido com o Careca do INSS e com Roberta – junto
com o depoimento da testemunha – que levaram a PF a pedir a Mendonça a quebra do
sigilo de Lulinha.




