Suspeita de ‘ritual satânico’, réus inocentados e reabertura do caso: veja linha do tempo dos quase 20 anos de investigação sobre morte de criança no Paraná
A investigação teve início em 2006, quando Giovanna dos Reis Costa, de 9 anos, foi assassinada. Três pessoas foram inocentadas em 2012. A menos de dois meses do prazo para prescrição do crime, Martônio Alves Batista foi preso e é considerado o principal suspeito.
A polícia prende suspeito de matar menina quase 20 anos após o crime
Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi preso preventivamente em Londrina, no norte do Paraná, pelo assassinato de Giovanna dos Reis Costa. A prisão ocorreu quase 20 anos após o crime, que aconteceu em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo a delegada Camila Cecconello, da Polícia Civil (PC-PR), ele é o principal suspeito do crime e deve responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável.
À DE, a defesa de Martônio informou que está “levantando pontos técnicos” para levá-los à Justiça. Segundo o advogado Eduardo Caldeira, trata-se de um caso com lapso temporal e que “quando se trata de prisão preventiva, a lei exige fundamentos atuais e fundamentos concretos”.
A investigação que levou à prisão, na quinta-feira (19), passou por diversas fases. O caso estava arquivado desde 2012, quando três réus foram inocentados por falta de provas após julgamento popular.
Confira a linha do tempo:
Em 2006, Giovanna desapareceu no dia 10 de abril, enquanto vendia rifas escolares perto de casa, em Quatro Barras. Vizinhos se uniram à família para tentar encontrá-la. Dois dias depois, o corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. A vítima também tinha “sinais extremos de violência sexual”, segundo a polícia.
Martônio, que era vizinho da vítima, foi considerado suspeito. Policiais encontraram evidências em sua casa, como um colchão com mancha de urina. No entanto, ele foi liberado após prestar depoimento.
As roupas de Giovanna foram encontradas em frente à casa de Martônio, que era vizinha à residência de uma casa de tarô habitada por ciganos. A investigação suspeitou que o crime poderia estar relacionado a um “ritual satânico”.
Em 2011, o STF publicou um artigo descrevendo o suposto envolvimento dos ciganos em um ritual macabro para obter sorte e fertilidade. A Justiça emitiu mandados de prisão contra os suspeitos, que ficaram foragidos.
Em 2007, dois suspeitos foram presos em Araçatuba (SP) e sempre alegaram inocência. Em 2008, o terceiro suspeito foi localizado e preso, mas conseguiu aguardar o julgamento em liberdade. Em 2012, os acusados foram absolvidos por falta de provas.
Em 2018, Martônio foi preso por outro crime. A ex-enteada dele denunciou abusos sexuais, o que levou à reabertura do caso de Giovanna. Em 2019, a ex-enteada relatou os abusos à polícia. A reabertura oficial do caso ocorreu em 2026, dois meses antes da prescrição.
Com a apresentação das evidências que ligam Martônio ao crime, o caso foi desarquivado. A investigação deve ser concluída em breve e encaminhada ao Ministério Público. Com a reabertura do caso, o crime não corre mais risco de prescrição, mantendo a esperança por justiça para Giovanna.




