Investigação de morte de bebê pós parto em hospital de Araucária

investigacao-de-morte-de-bebe-pos-parto-em-hospital-de-araucaria

Morte de bebê meses após CRM constatar irregularidades em hospital é investigada em Araucária

Polícia investiga se houve negligência na morte da bebê, que aconteceu cerca de 48 horas depois do parto realizado no Hospital Municipal de Araucária.

A Polícia Civil do Paraná investiga se houve negligência na morte da bebê Lorena, cerca de 48 horas depois do parto, que foi realizado no Hospital Municipal de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.

O local foi alvo de uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina (CRM/PR), em novembro de 2025, que apontou uma série de irregularidades – entre elas, o fato de a escala da equipe de obstetrícia estar incompleta.

Lorena é a primeira filha de Genildo Alves de Moura e Larissa Diniz Ferreira. O casal esperava ansioso pela chegada da filha, com a casa preparada com berço, roupinhas e brinquedos. No entanto, Lorena não conseguiu ir para casa e morreu ainda no hospital, no dia 13 de fevereiro.

“O coraçãozinho dela estava muito fraco, a respiração estava muito fraca. Ela falou que era só para a gente se despedir dela, que ela não ia aguentar. Aí a gente conseguiu pegar ela um pouco no colo. Eu pedi desculpa para ela, porque eu não consegui fazer nada. Eu me sinto culpado um pouco”, disse o pai, emocionado.

“Ela morreu no meu colo”, lamentou a mãe.

As anotações na carteirinha e nos agendamentos de consultas e exames indicam que Larissa tinha uma gravidez de risco. A auxiliar de produção teve diabetes gestacional, que foi controlada nos primeiros meses. Além disso, infecções urinárias recorrentes também geravam riscos, segundo o que os médicos informaram aos pais.

Genildo e Larissa foram para o hospital na manhã do dia 10 de fevereiro, depois de 41 semanas de gestação. Com medicação, os médicos tentaram induzir o parto normal. O parto não evoluiu e o casal afirma ter solicitado uma cesariana, mas foram informados de que a intervenção seria arriscada e a cirurgia não foi feita.

No dia seguinte, depois da mudança de plantão, por volta das 10h, a médica que assumiu o atendimento decidiu fazer a cesariana.

“Fizeram a cesárea e a neném já nasceu praticamente sem vida. Eu estava assistindo o parto e não consegui ouvir choro. Eu vi a neném praticamente desacordada. Uma outra médica falou: ‘Olha, pai, a sua nenê engoliu muito mecônio e a gente teve que reanimar’. Ela nasceu praticamente sem oxigênio nenhum. Eu caí no choro”, relatou o pai.

Depois da morte de Lorena, Genildo registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil. O delegado Gabriel Fontana, responsável pelo caso, solicitou ao hospital os registros do atendimento ao hospital e informou que pretende ouvir testemunhas.

O Hospital Municipal de Araucária é uma instituição pública de médio porte, referência regional em urgência e emergência, maternidade de alto risco e suporte intensivo adulto e neonatal.

Uma fiscalização do CRM, feita em novembro de 2025, apontou que o hospital estava com graves falhas no que se referia à estrutura física, recursos humanos e insumos e equipamentos.

Entre as 27 irregularidades constatadas na fiscalização, o CRM apontou que a escala da equipe de obstetrícia estava incompleta. A escala de pediatria também estava incompleta, inviabilizando assistência em UTI e sala de parto.

Depois da constatação, o Hospital Municipal de Araucária foi notificado para resolver os problemas, ou apresentar um planejamento para as soluções em até 90 dias. Caso contrário, a instituição pode ser interditada. O prazo se encerra em março.

Em nota, a Prefeitura de Araucária informou que a Organização Social responsável pela gestão do hospital foi substituída depois da fiscalização do CRM.

“Desde 1º de fevereiro de 2026, o Hospital Municipal de Araucária passou a ser administrado pela Organização Social S3 Gestão em Saúde, vencedora do processo de concorrência pública, com contrato firmado pelo período de 12 meses e aporte mensal de R$ 6,9 milhões para custeio integral da operação hospitalar”, informou a prefeitura.

Segundo o município, o novo contrato prevê o reforço do corpo clínico, aquisição de equipamentos e melhorias estruturais.

Em relação à morte de Lorena, a prefeitura lamentou e disse que solicitou à S3 Gestão em Saúde, responsável pela gestão do hospital, o relatório detalhado do atendimento. Disse ainda que todos os óbitos infantis são apurados por comissões técnicas específicas.

A S3 Gestão em Saúde disse que o atendimento foi conduzido por equipe multiprofissional, que adotou todas as medidas assistenciais indicadas para o quadro clínico apresentado ao nascimento. Disse ainda que está à disposição para oferecer apoio à família.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp