A polícia do Reino Unido realizou buscas em duas propriedades ligadas a Peter Mandelson como parte de uma investigação sobre possível má conduta em cargo público. Essa ação ocorreu devido a reportagens que destacaram a proximidade entre o ex-embaixador britânico nos Estados Unidos e o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Os mandados de busca foram cumpridos em locais situados em Wiltshire, no sul da Inglaterra, e em Camden, em Londres, conforme relatado pela Reuters.
Documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram a existência de e-mails que sugerem que Mandelson teria repassado documentos governamentais a Epstein. Esses mesmos arquivos indicam que Epstein teria feito pagamentos ao ex-embaixador e ao seu então parceiro, que hoje é seu marido.
As repercussões políticas decorrentes das revelações sobre a ligação entre Mandelson e Epstein resultaram em críticas à decisão do primeiro-ministro britânico Keir Starmer de nomear Mandelson como embaixador nos Estados Unidos em 2024. Starmer pediu desculpas pela decisão e prometeu divulgar documentos relacionados ao caso, condicionando essa atitude ao progresso das investigações. A polícia solicitou que alguns arquivos sejam mantidos em sigilo para não prejudicar as apurações.
A demissão de Mandelson em setembro do ano anterior, somada às novas revelações, gerou questionamentos dentro da oposição e do próprio partido de Starmer. Pesquisas indicam uma baixa popularidade do primeiro-ministro entre os britânicos, levantando preocupações sobre o impacto político dessa situação.
A investigação foi iniciada na terça-feira da mesma semana, após a polícia receber denúncias sobre possível má conduta em cargo público, incluindo possíveis encaminhamentos indevidos feitos pelo governo. Mandelson renunciou ao Partido Trabalhista e ao cargo na câmara alta do Parlamento. Ele se manteve em silêncio diante das tentativas da imprensa de obter comentários sobre o caso.
Os e-mails divulgados também apontam que, em 2009, Mandelson teria enviado a Epstein um memorando preparado para o então primeiro-ministro Gordon Brown, sobre vendas de ativos britânicos e mudanças tributárias. Além disso, em 2010, ele teria antecipado informações a Epstein sobre um pacote de resgate da União Europeia no valor de 500 bilhões de euros. Em meio a essas revelações, o governo afirmou estar disposto a apoiar as autoridades policiais em suas investigações.




