Investigação policial revela golpes milionários em brechó de luxo e resulta na prisão dos donos

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Do negócio de sucesso a prisões: a cronologia do brechó de luxo investigado por calote milionário

Após anos de faturamento milionário, brechó passou a ser alvo de denúncias, investigação e teve donos presos.

Casal suspeito de aplicar golpes de até R$ 5 milhões com brechó de luxo é preso em SP

Fundado em 2018, o brechó de luxo Desapego Legal declarou receitas milionárias por anos antes de clientes de todo o Brasil começarem a relatar a interrupção dos pagamentos pelas vendas de peças.

As denúncias levaram à abertura de investigação policial, ao pedido de recuperação judicial com dívida estimada em R$ 20 milhões e, em janeiro de 2026, à prisão dos donos da empresa em São José dos Campos – veja cronologia abaixo.

1 de 4 Casal preso em caso de brechó de luxo acusado de calotes. — Foto: Reprodução/TV Vanguarda

2018

Junho – O brechó Desapego Legal inicia as atividades, com sede em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A empresa passa a atuar principalmente pelas redes sociais, com foco na revenda de bolsas, joias e acessórios de luxo.

2022

A empresa declara receita bruta de R$ 48,8 milhões. O brechó amplia a presença digital e mantém sede física em um prédio comercial no bairro Jardim Aquarius, área valorizada da cidade.

2023

O Desapego Legal informa receita bruta de R$ 50,8 milhões, o maior faturamento declarado pela empresa.

Nas redes sociais, o brechó soma mais de 212 mil seguidores e ultrapassa 31 mil publicações, anunciando produtos de luxo, incluindo bolsas de grife vendidas por valores superiores a R$ 20 mil.

A operação funciona em estrutura considerada de grande porte, com envio de produtos para todo o Brasil.

2 de 4 Infográfico mostra detalhes de suposto esquema de brechó de luxo. — Foto: Arte/g1

2024

A empresa declara queda brusca no faturamento, que recua para R$ 5,6 milhões, e registra prejuízo acumulado de R$ 14,6 milhões.

Clientes de diversos estados passam a relatar interrupção dos pagamentos, além da não devolução de bolsas, joias e roupas de grife enviadas para venda.

O número de reclamações cresce e o caso gera quase 100 ações judiciais, além de boletins de ocorrência registrados em diferentes estados. O brechó desocupa a sede física no Jardim Aquarius após problemas relacionados ao pagamento do aluguel.

3 de 4 Brechó de São José dos Campos é suspeito de calote milionário — Foto: Reprodução

2025

Janeiro – O caso ganha repercussão nacional após reportagem exibida no Fantástico. À época, o prejuízo estimado chegava a R$ 5 milhões, segundo apuração da reportagem.

A empresária Francine da Costa Prado faz uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na qual admite “falhas administrativas” e afirma que os problemas seriam resolvidos. A Polícia Civil instaura investigação após denúncias de clientes de várias regiões do país. O caso passa a tramitar nas esferas criminal e cível.

Julho – A defesa do Desapego Legal entra com pedido de recuperação judicial, que é aceito pela Justiça.

No processo, a empresa lista quase 700 credores, com dívidas que, somadas, chegam a R$ 20 milhões, incluindo valores individuais superiores a R$ 1 milhão.

Relatório da administradora judicial aponta dúvidas sobre a viabilidade econômica da empresa, sobre a boa-fé no pedido de recuperação judicial e menciona movimentação financeira incompatível com a estrutura do brechó.

4 de 4 Clientes de todo o Brasil acusam Francine Prado, dona do brechó online Desapego Legal, de aplicar um calote de R$ 5 milhões — Foto: TV Globo/Reprodução

2026

29 de janeiro – O casal Francine da Costa Prado e Filipe Prado dos Santos é preso no bairro Urbanova, em área nobre de São José dos Campos, durante o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela Justiça do Piauí. Um veículo é apreendido durante a operação.

30 de janeiro – O casal passa por audiência de custódia, e a Justiça mantém a prisão por não identificar irregularidades no cumprimento dos mandados. Os advogados de defesa disseram que o casal sempre atendeu às convocações judiciais e que os meios processuais cabíveis serão adotados.

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