A investigação que levou à prisão de um piloto de avião no Aeroporto de Congonhas revelou um elemento central e chocante do caso: a própria avó de duas adolescentes teria facilitado — e até negociado — encontros entre o suspeito e as netas, segundo a polícia.
A mulher, de 53 anos, que trabalhava como inspetora em uma escola de São Paulo, foi presa e é apontada pela delegada responsável como peça fundamental no esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes que teria funcionado por pelo menos cinco anos. “Ela acabou vendendo as netas para que ele pudesse abusar sexualmente delas e produzir o material de pornografia infantojuvenil que queria”, afirmou a delegada Luciana Peixoto, da Delegacia de Repressão à Pedofilia.
O Fantástico mostrou o momento em que a avó foi abordada pela polícia. A imagem dela não foi mostrada para proteger a identidade das netas, que são vítimas. A senhora está presa por tráfico de pessoa, prostituição infantil. O que é isso?
As duas netas foram ouvidas pela delegada Luciana Peixoto na delegacia de repressão à pedofilia na capital paulista. “Hoje, uma está com 18 anos, mas pela investigação, os abusos começaram quando ela tinha aproximadamente 14, 15 anos. Uma das vítimas tem 14 anos e os abusos começaram entre 10 e 11 anos.” Após ouvir as vítimas, a polícia cruzou os depoimentos com registros de deslocamento do suspeito e, segundo a polícia, as informações coincidiam.
A prisão do piloto na segunda-feira passada ocorreu em uma operação coordenada no saguão do aeroporto. Sérgio foi levado para a delegacia instalada dentro do aeroporto, onde admitiu envolvimento com menores. O piloto também mostrou conteúdos no celular e relatou como conheceu algumas das vítimas. “Conheci ela através da vó dela”, afirmou. Para entrar nos estabelecimentos sem levantar suspeitas, ele utilizava documentos verdadeiros de mulheres adultas.
De acordo com a delegada Luciana Peixoto, o piloto adotava um padrão: se apresentava como educado e atencioso, conversava com familiares em locais públicos — como padarias e ruas próximas à casa das vítimas — e só depois se aproximava das meninas. Ele oferecia presentes, jantares e até alimentos para famílias. “Não necessariamente são pobres, são famílias que estavam passando por algum tipo de dificuldade financeira”, diz a delegada Luciana.
Além de São Paulo, a investigação também aponta possíveis vítimas em outros estados, como Espírito Santo, onde o piloto revelou ter conhecido uma das vítimas de quem também tem registros no celular. A delegada Luciana Peixoto destacou o impacto emocional duradouro sobre as vítimas. “É muito triste conversar com vítimas de violência. Elas trazem uma carga grande de culpa, de dor. Sentem que o corpo delas não vale nada. É uma ferida que leva para a vida adulta.” É fundamental denunciar casos como esses para evitar que mais vidas sejam afetadas.




