Investigadores apuram compra suspeita de ações do BRB por Vorcaro utilizando advogados e procuradores em rede

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Vorcaro usou o próprio advogado e procurador de São Luís em rede para comprar ações do BRB. Fundos e pessoas ligadas ao banqueiro adquiriram 12% das ações do banco. Investigadores querem entender o motivo das operações mais complexas e difíceis de rastrear.

A auditoria que embasou a abertura do inquérito que apura suspeita de gestão fraudulenta na gestão passada do BRB revelou o complexo caminho do dinheiro até a compra de ações. A Polícia Federal investiga se, de fato, as compras envolveram algum desembolso ou se apenas fizeram circular um dinheiro que já existia em fundos e operadoras de empréstimos ligadas a Vorcaro, Quadrado e Mansur, no chamado “fluxo de operações circulares”.

Segundo documentos a que o blog teve acesso, além de fundos, o dono do Master, Daniel Vorcaro, se valeu de seu próprio advogado na complexa rede para dificultar o rastreamento de que era ele, Vorcaro, o acionista do BRB. Em uma das operações, um fundo chamado Delta – administrado pelo Banco Master – adquiriu ações do BRB e as revendeu a Daniel Monteiro, advogado de Vorcaro.

Já outro fundo, o Borneo, revendeu parte de suas ações do BRB a Monteiro – que, novamente, fez empréstimos junto à Cartos para obter o dinheiro – e outra parte a um fundo administrado pelo Banco Master, o Celeno. O Celeno, por sua vez, revendeu as ações para João Carlos Mansur, ex-executivo da gestora Reag.

Em outra frente da compra pulverizada de ações do BRB, Vorcaro se valeu do advogado e procurador do município do Maranhão, Daniel de Faria Jeronimo Leite. Neste caso, o fundo Asterope, administrado pelo Master, adquiriu ações do BRB e as revendeu ao procurador municipal. Para obter os recursos, Leite realizou operação de crédito junto à Qista, empresa de crédito vinculada à Reag.

As operações foram informadas ao Banco Central em abril do ano passado – um mês após o anúncio de que o BRB queria comprar o Master. A PF suspeita de um esquema do tipo “pirâmide” dentro do sistema financeiro, e vê uma coincidência com o calendário da tentativa de o BRB adquirir o Banco Master. O banco declarou ainda que, “com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar créditos e ativos e obter o ressarcimento de prejuízos causados por agentes relacionados à operação Compliance Zero, vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas e extrajudiciais”.

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