Irã acusa DE de incentivar desestabilização política: autoridades endurecem discurso enquanto DE ameaça atacar o país.

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Irã acusa DE de incentivar desestabilização política

Autoridades endurecem discurso contra manifestantes, enquanto DE ameaça
atacar o país

14 de janeiro de 2026, 04:11 h

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247 – As autoridades iranianas elevaram o tom contra os protestos que se
espalham pelo país há mais de duas semanas. O governo de Teerã afirma que
manifestações e episódios de violência estão sendo estimulados por potências
externas, em especial pelos Estados Unidos e por Israel.

O chefe do Judiciário do Irã, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, declarou que os
responsáveis por atos violentos devem ser punidos sem demora. Segundo ele,
aqueles que “decapitaram pessoas ou queimaram pessoas nas ruas” precisam ser
“julgados e punidos o mais rápido possível”. 

Mohseni-Ejei também afirmou que não haverá tolerância com quem  atue em
cooperação com os inimigos da República Islâmica, aponta reportagem da Al
Jazeera. “Se alguém vai às ruas para provocar tumultos ou criar insegurança, ou
apoia esses atos, então não resta mais nenhuma desculpa. A questão ficou muito
clara e transparente. Eles agora estão atuando em alinhamento com os inimigos da
República Islâmica do Irã”, disse o magistrado.

Autoridades iranianas acusam diretamente os Estados Unidos e Israel de ordenar e
armar agentes para incitar a violência durante as manifestações, que têm
atingido tanto forças de segurança quanto civis. A tensão aumentou após
declarações de políticos norte-americanos em apoio aberto aos protestos.

O senador republicano Ted Cruz publicou um vídeo em sua conta na rede X no qual
responsabiliza a liderança iraniana pelas mortes ocorridas. “Todos que estão
sendo mortos são resultado do aiatolá [o líder supremo Ali Khamenei] e de sua
opressão”, afirmou. Cruz classificou os acontecimentos no Irã como “incríveis” e
elogiou “milhões de pessoas indo corajosamente às ruas para se levantar contra a
repressão”. Ele acrescentou que Donald Trump “deixou claro: ‘Nós apoiamos
vocês’”.

Ainda segundo o senador, existe “uma possibilidade muito, muito real de que nos
próximos dias, semanas ou meses o regime iraniano caia”, sugerindo que a remoção
da atual liderança tornaria os Estados Unidos “mais seguros”.

Enquanto isso, a televisão estatal iraniana informou que o país realizará
funerais coletivos para integrantes das forças de segurança mortos durante os
protestos. A agência semi-oficial Tasnim relatou que a cerimônia ocorrerá na
Universidade de Teerã e será a primeira de uma série de homenagens oficiais. De
acordo com a mídia iraniana, mais de 100 agentes de segurança morreram desde o
início das manifestações, mortes atribuídas pelas autoridades a “elementos
estrangeiros”.

A Organização das Nações Unidas informou que seus mais de 500 funcionários no
Irã estão em segurança. O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, disse que muitos
trabalham remotamente devido à instabilidade, em um contexto no qual há relatos
de centenas de manifestantes mortos. A equipe da ONU no país é composta por 46
funcionários internacionais e 448 nacionais.

No exterior, figuras da oposição iraniana também intensificaram suas
manifestações. Reza Pahlavi, filho mais velho do último xá do Irã, Mohammad Reza
Pahlavi, fez um apelo público para que militares se posicionem ao lado dos
manifestantes. Em uma publicação na rede X, ele afirmou que o mundo “viu e
ouviu” a coragem dos protestos e pediu que a população não permita que as
autoridades criem “a ilusão de que a vida é normal”. Aos militares, escreveu:
“Vocês não têm muito tempo”, pedindo que protejam os civis e se vejam como
servidores da nação, e não do governo teocrático.

O contexto econômico também pesa sobre a crise. Donald Trump anunciou que
pretende impor uma tarifa de 25% a qualquer país que mantenha relações
comerciais com o Irã, aumentando a pressão sobre uma economia já enfraquecida
por anos de sanções ocidentais, inflação elevada, desemprego e desvalorização da
moeda nacional, o rial. O Irã depende fortemente de exportações para países como
China, Turquia, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Índia, sendo Pequim responsável
por cerca de 80% das compras de petróleo iraniano.

Outras lideranças internacionais se pronunciaram. O ex-ministro da Defesa de
Israel, Yoav Gallant, afirmou em entrevista à Rádio do Exército israelense que
seu país deveria atuar com uma “mão invisível” durante os protestos. “Precisamos
ficar por trás e direcionar as coisas com uma mão invisível”, disse. Gallant
declarou ainda: “O regime no Irã precisa cair, e precisamos exercer paciência
estratégica, mas agir quando necessário”.

Já o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, declarou apoio à posição dos
Estados Unidos. “Apoiamos a posição sobre o Irã: um regime que durou tantos anos
e matou tantas pessoas não merece existir”, afirmou, acrescentando que “mudanças
são necessárias”. 

A declaração ocorre em meio à convocação de embaixadores iranianos por países
europeus, enquanto a Rússia, aliada de Teerã, condenou a “interferência externa
subversiva” nos assuntos internos do Irã.

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