DE ataca bases dos EUA no Golfo após ofensiva conjunta
Teerã confirma ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos;
Guarda Revolucionária diz que operação seguirá “implacavelmente”
28 de fevereiro de 2026, 08:30 h
Fumaça sobe ao céu após explosões serem ouvidas em Manama, Bahrein, no sábado,
28 de fevereiro de 2026 (Foto: Reuters)
247 – O Irã lançou, neste sábado (28), uma série de ataques contra alvos dos
Estados Unidos em países árabes do Golfo, em resposta à ofensiva conjunta
realizada por EUA e Israel contra o território iraniano. As informações foram
publicadas pela Al Jazeera, com base em reportagens da Associated Press (AP) e
da Reuters.
Segundo a agência de notícias Fars, o governo iraniano confirmou que os ataques
atingiram alvos no Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos — nações que
abrigam bases aéreas e instalações militares norte-americanas. A escalada
aprofunda os temores de que a região seja arrastada para um conflito prolongado.
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que todos os alvos militares
israelenses e americanos no Oriente Médio foram atingidos “pelos poderosos
golpes de mísseis iranianos”. Em comunicado, acrescentou: “Esta operação
continuará implacavelmente até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva”. A força também declarou que todos os ativos americanos na região são
considerados alvos legítimos para o exército iraniano.
Nos Emirados Árabes Unidos, ao menos uma pessoa morreu em Abu Dhabi após a
interceptação de vários mísseis lançados do Irã, de acordo com a agência estatal
do país. No Bahrein, autoridades informaram que um ataque com mísseis teve como
alvo o quartel-general da 5ª Frota da Marinha dos EUA, sediado no território
bareinita. O governo classificou a ofensiva como “traiçoeiro” e “uma violação
flagrante da soberania e segurança do reino”.
No Kuwait, a Al Jazeera Arabic relatou ter ouvido explosões. O país abriga o
quartel-general do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos. Já no
Catar, o Ministério da Defesa afirmou ter “frustrado” diversos ataques. Em nota
oficial, declarou: “O Ministério da Defesa confirma que a ameaça foi
neutralizada imediatamente após a sua detecção, de acordo com o plano de
segurança previamente aprovado, e que todos os mísseis foram interceptados antes
de atingirem o território do Catar”.
Diante da escalada, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos anunciaram o
fechamento de seus espaços aéreos como medida preventiva. DE, o repórter Zein Basravi informou que Omã foi o único país do Conselho de Cooperação do Golfo ainda não atingido pelos ataques iranianos neste sábado. “Aqui em Doha, nas últimas horas, ouvimos pelo menos uma dúzia de explosões. A
maioria delas soa como mísseis de defesa Patriot interceptando mísseis
iranianos”, relatou. Ele acrescentou: “No que diz respeito ao Irã, com os EUA e
Israel dando o primeiro passo nesta última rodada de tensões, agora
provavelmente tudo está em jogo”.
Há anos, Omã atua como intermediador diplomático entre o Irã e outros países da
região e de fora dela. O sultanato teve papel central nas negociações indiretas
recentes entre Teerã e Washington, realizadas em Omã e Genebra.
Na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad
al-Busaidi, havia demonstrado otimismo ao afirmar que a paz estava “ao alcance”,
após o Irã concordar, durante as negociações, em nunca estocar urânio
enriquecido. Ele descreveu o avanço como significativo. Poucas horas depois,
contudo, os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao DE alteraram
drasticamente o cenário diplomático, lançando incertezas sobre a continuidade
das conversas.
O Conselho de Cooperação do Golfo reúne seis países da Península Arábica —
Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — e foi
criado em 1981 com o objetivo de fortalecer a cooperação econômica, de
segurança, cultural e social entre seus membros. A nova escalada militar coloca
à prova a estabilidade da aliança em meio a um dos momentos mais delicados das
últimas décadas no Oriente Médio.




