Irã fecha novamente o Estreito de Ormuz neste sábado (18/4), trazendo impactos imediatos para o tráfego marítimo internacional e gerando preocupação entre importadores e exportadores de todo o mundo, especialmente no setor de economia global.

De acordo com informações divulgadas pelo governo iraniano, a nova decisão acontece em resposta direta ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, situação que se agravou consideravelmente desde a última sexta-feira (17/4). Até então, o Irã havia anunciado temporariamente a liberação da passagem no Estreito de Ormuz, importante rota estratégica para o transporte de petróleo e mercadorias.

A medida impacta diretamente diversas cidades portuárias mundiais, já que aproximadamente 20% do petróleo comercializado globalmente passa por essa região diariamente. Agora, o impasse político entre Teerã e a Casa Branca volta a colocar em xeque a estabilidade energética e a segurança do tráfego naval no Oriente Médio.

Entenda a escalada da tensão no estreito estratégico

Segundo comunicado do comandante operacional das Forças Armadas do Irã, Khatam Al-Anbiya, divulgado na imprensa local neste sábado, o “Estreito de Ormuz permanecerá estritamente controlado e em seu estado anterior” enquanto durar o bloqueio naval norte-americano. Isso significa que, para embarcações com origem ou destino ao Irã, a travessia permanece restrita e monitorada, até que Washington libere completamente as vias marítimas.

A escalada da tensão coloca em alerta máximo os países exportadores e importadores que dependem do fluxo de navios pelo Golfo Pérsico. Entre os principais atingidos estão Brasil, Japão, China e as monarquias do Golfo, todos fortemente dependentes do petróleo que escoa pela região. Em 2019, situações similares elevaram o preço do barril de petróleo em mais de 5% em questão de horas.

Além do impacto econômico, autoridades internacionais alertam para os riscos de desdobramentos militares mais graves. O estreito é um dos pontos mais sensíveis do comércio global. “Toda vez que há restrição desse tipo, o efeito é imediato sobre os preços e os seguros marítimos”, aponta um especialista ouvido pelo DE. O setor de economia global acompanha o desenrolar das negociações com atenção redobrada.

Posição dos Estados Unidos e reações internacionais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta sexta-feira (17/4) que o bloqueio naval permanecerá ativo até que todas as negociações pelo fim da guerra sejam concluídas. Em declaração oficial, Trump afirmou: “O estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada”, disse o presidente norte-americano a jornalistas internacionais.

A decisão da Casa Branca desencadeou reações não apenas entre países do Oriente Médio, mas também em potências ocidentais que possuem contratos diretos para compra de petróleo iraniano. Entre elas, destaque para a China, que mantém investimentos bilionários na região, e para o Brasil, que importa parte de seus insumos industriais vindos do mercado persa. O clima de incerteza influencia diretamente a economia dos países emergentes, que já sentiam os impactos da recente volatilidade nos mercados internacionais.

Países europeus, por sua vez, unem esforços para mediar um cessar-fogo definitivo e a reabertura estável do Estreito de Ormuz. “Nosso objetivo é preservar a segurança energética global e o acesso irrestrito às rotas marítimas internacionais”, pontuou em nota o representante da União Europeia para assuntos diplomáticos. A atuação de blocos multilaterais é vista como imprescindível para conter a escalada do conflito e amenizar os efeitos sobre o mercado consumidor em diversas cidades do mundo.

Ligação com a economia global e a rotina dos portos

Segundo analistas de comércio exterior, a paralisação do fluxo normal de navios pelo Estreito de Ormuz representa um risco para a cadeia de abastecimento de combustíveis em cidades industriais, podendo elevar significativamente os custos logísticos e afetar preços de derivados do petróleo no varejo. Dados da Agência Internacional de Energia mostram que, nos primeiros 4 meses do ano, o volume transportado pela região já havia caído cerca de 9%, reflexo direto da instabilidade política local.

“O bloqueio impacta não só a exportação de petróleo, mas todo o comércio de mercadorias que utiliza essas rotas marítimas estratégicas”, explica o consultor internacional Rodrigo Santos. Em períodos anteriores de tensão, houve até registro de falta de combustíveis e insumos industriais em grandes complexos portuários latino-americanos, afetando inclusive o Brasil.

A perspectiva das autoridades é de cautela: caso o impasse continue, a perda pode ultrapassar US$ 1 bilhão ao mês, segundo estimativas de entidades do setor de economia global. “Os seguros marítimos sobem, as empresas de navegação repensam rotas e há temor de reflexos em toda a cadeia produtiva mundial”, acrescenta Santos.

O que esperar para os próximos dias?

A pergunta que ecoa entre diplomatas, economistas e empresários é: o que esperar para os próximos dias frente a esse novo fechamento do Estreito de Ormuz? A curto prazo, o mercado financeiro e o setor de commodities monitoram de perto os desdobramentos das conversas entre Irã e Estados Unidos. Em cidades portuárias, embarcações seguem ancoradas aguardando permissão para avançar.

Especialistas alertam que movimentos bruscos nos preços do petróleo podem acontecer, em especial se a restrição do Irã se prolongar além de uma semana. Em 2020, episódios similares fizeram o mercado internacional registrar alta de até 12% no valor do barril em menos de três dias úteis. Para o consumidor final, pode haver pressão no preço dos combustíveis, afetando a economia do Brasil e de outros países dependentes.

O DE seguirá acompanhando a situação e trará novas informações à medida que as negociações avançarem em busca de um acordo. “Estamos em diálogo permanente com parceiros internacionais para restabelecer o fluxo marítimo e minimizar prejuízos à economia”, informou ainda nesta manhã o Ministério dos Transportes do Irã. O cenário permanece aberto enquanto perdurar a tensão entre Washington e Teerã.