Israel vem apostando em uma estratégia de guerra prolongada no Oriente Médio, ampliando sua presença militar em Gaza, Líbano e Síria, mesmo enquanto os Estados Unidos e o Irã negociam um acordo de paz. Essa movimentação indica uma nova abordagem baseada na criação de zonas tampão, visando conter ameaças regionais persistentes.
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, Israel está operando sob a lógica de uma guerra de longo prazo, reconhecendo que grupos como o Hamas, o Hezbollah e milícias apoiadas pelo Irã não podem ser completamente eliminados. A avaliação é de que é necessário intimidar e dispersar esses adversários para garantir a segurança do país.
O analista Nathan Brown, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, afirmou que os líderes de Israel chegaram à conclusão de que estão em um conflito sem fim contra inimigos que precisam ser enfrentados de forma contínua. Essa percepção reforça a ideia de um confronto estrutural, sem perspectiva de uma solução definitiva a curto prazo.
Israel e suas operações militares
Enquanto os EUA e o Irã concordaram em suspender os combates durante as negociações, Israel segue com operações contra o Hezbollah, um grupo apoiado pelo Irã. O objetivo é estabelecer uma zona de segurança de até 10 quilômetros além da fronteira, afastando as cidades israelenses de possíveis ataques.
Essa estratégia tem levado à destruição de residências civis consideradas pontos estratégicos para as operações militares. Muitas dessas localidades, situadas em áreas elevadas, proporcionam uma visão direta das cidades israelenses, o que as torna alvos estratégicos para os ataques inimigos.
O general reformado Assaf Orion destacou que as comunidades fronteiriças não podem mais ser protegidas apenas a partir da fronteira. Segundo ele, Israel não espera mais ser alvo de ataques, preferindo agir de forma preventiva diante de ameaças emergentes.
A expansão territorial de Israel
Além disso, Israel atualmente controla mais da metade da Faixa de Gaza, mantendo presença militar em partes da Síria, do Líbano e da Cisjordânia ocupada. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ressaltou a criação de cinturões de segurança para além das fronteiras, abrangendo regiões estratégicas.
Netanyahu detalhou que em Gaza, mais da metade do território está sob controle israelense. Na Síria, a presença militar vai do Monte Hermon até o rio Yarmuch. Já no Líbano, foi estabelecida uma ampla zona tampão para impedir invasões e manter as ameaças distantes das comunidades israelenses.
Embora o plano para o Líbano ainda não tenha sido formalmente apresentado, autoridades da ala mais à direita do governo defendem a expansão territorial. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, já sugeriu a anexação de regiões como Gaza e partes do Líbano.
Desafios e alertas internacionais
No entanto, especialistas em direito internacional alertam para possíveis violações nas operações militares de Israel. Eran Shamir-Borer, do Instituto de Democracia de Israel, afirmou que a destruição indiscriminada de casas no sul do Líbano sem uma análise individual seria ilegal sob a ótica do direito internacional.
Internamente, a sociedade israelense demonstra ceticismo em relação a acordos de paz duradouros. Levantamentos indicam que uma parcela pequena da população acredita na coexistência pacífica com um futuro Estado palestino, mostrando a complexidade do cenário político e social na região.
Diante desse panorama, a estratégia de criação de zonas tampão pode reduzir ameaças imediatas, mas também traz desafios operacionais. O pesquisador Ofer Shelah, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Tel Aviv, ressaltou a importância de retornar eventualmente a uma fronteira internacional e manter defesas móveis para garantir a segurança a longo prazo.
Em suma, mesmo com as negociações diplomáticas em andamento, a dinâmica no terreno indica a continuidade de um conflito prolongado no Oriente Médio, com implicações diretas na estabilidade regional. A expectativa é de que Israel continue apostando em sua estratégia militar como forma de lidar com as ameaças presentes em sua fronteira.



