CIDADE (SP) — A Sucocítrico Cutrale, conhecida por sua produção de laranjas e suco de laranja, foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar uma indenização de R$ 1,5 milhão devido ao descumprimento de normas de saúde, higiene e segurança no ambiente laboral. A decisão, proferida pela 2ª Vara do Trabalho de Bauru, emergiu a partir de um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), destacando a seriedade das infrações cometidas pela empresa que afetam o bem-estar dos trabalhadores.
A sentença, que ainda permite recurso, ressalta que a Cutrale não se manifestou publicamente sobre a condenação até a última atualização do caso, deixando dúvidas sobre a posição da empresa frente a essa grave acusação. Essa situação acende um alerta não apenas sobre a atuação da Cutrale, mas também sobre a fiscalizações e regulamentações que regem a segurança do trabalho em todo o Estado de São Paulo.
De acordo com informações obtidas pelo MPT, períodos de fiscalização revelaram que a Cutrale vinha desrespeitando determinações já estabelecidas em processos anteriores, que visavam garantir um ambiente seguro e saudável para seus funcionários. Desde 2012, a empresa acumula um total impressionante de 356 autos de infração, sinalizando um histórico preocupante em suas operações.
Infrações e Condução Irregular
As investigações apontaram diversas irregularidades que gravitam em torno da saúde e segurança ocupacionais, incluindo condições inadequadas de higiene nos alojamentos fornecidos aos trabalhadores e a ocorrência de acidentes com funcionários. Mais alarmante é o fato de que a empresa é acusada de remunerar seus colaboradores com base em dados inferiores à produção real de frutas, configurando uma prática desleal e prejudicial ao trabalhador.
Na decisão, o juiz André Luiz Menezes Azevedo Sette descreveu a conduta da Cutrale como “dumping social”, uma prática que proporciona vantagem competitiva injusta ao reduzir custos com segurança e saúde em comparação a outras empresas que cumprem a legislação trabalhista em vigor. Essa situação não apenas prejudica os empregados da Cutrale, mas também ameaça a integridade do mercado de sucos de laranja, ao criar um cenário de concorrência desleal.
Consequências Legais e Financeiras
A sentença imposta à Sucocítrico Cutrale traz consigo consequências adicionais, além da indenização. As penalidades estipuladas incluem multas cominatórias diárias, cujo valor poderá ser calculado em até R$ 10 mil por dia para cada item que não for cumprido. Estas multas serão computadas a partir da fiscalização realizada em outubro de 2023 e devem ser levadas em consideração na fase de liquidação da sentença.
Os montantes arrecadados com a indenização coletiva serão revertidos ao Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), um ponto importante que destaca a busca por justiça para os trabalhadores afetados por essas práticas inadequadas. O FAT serve como um importante mecanismo de suporte para trabalhadores que perderam seus empregos ou enfrentaram situações adversas no mercado de trabalho.
O Papel do Ministério Público do Trabalho
A atuação do MPT foi fundamental neste processo, uma vez que a entidade é incumbida de proteger os direitos dos trabalhadores e garantir que as normas trabalhistas sejam respeitadas. O combate a práticas abusivas e a promoção de um ambiente de trabalho seguro e digno são objetivos primordiais do órgão, que, neste caso, utilizou seu poder de fiscalização para trazer à tona as irregularidades cometidas pela Cutrale.
A relevância desse caso se estende além das ações judicialmente reconhecidas, refletindo também a necessidade de uma maior rigorosidade nas práticas de fiscalização em todo o setor sucroalcooleiro do Estado de São Paulo. É essencial que as instituições pautem suas ações em prol da proteção e garantia dos direitos trabalhistas, principalmente em um setor que desempenha papel central na economia estadual.
Próximos Passos e O Que Esperar
Após a sentença, o próximo passo envolve a análise de eventuais recursos por parte da Sucocítrico Cutrale junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15). A possibilidade de recursos pode prolongar o processo, mas a determinação da Justiça expressa um comprometimento em zelar pela saúde e segurança no trabalho em um dos principais setores da economia do Estado de São Paulo.
A expectativa é que tanto a Cutrale quanto outras empresas do setor sucroalcooleiro reavaliem suas práticas em resposta a esse alerta, promovendo reformulações que assegurem a integridade e o bem-estar de seus colaboradores. Isso pode gerar uma mudança cultural necessária nas práticas de segurança do trabalho, assegurando que todos os trabalhadores tenham os direitos respeitados e um ambiente laboral digno e seguro.



