Itu (SP) — A Justiça de Itu condenou um homem a 5 anos de prisão após encontrar quase 250 quilos de cocaína em seu veículo. O caso, que já gerou polêmica e debate na comunidade, teve um desfecho em uma sentença que reflete a gravidade do tráfico de drogas na região.
O réu, Thiago Zumiotti da Silva, foi preso em outubro de 2025, dois meses após ter sido solto por um juiz que considerou a quantidade de droga “pouca” em relação ao total encontrado. A decisão inicial gerou críticas e repercussão, levando a uma ordem de prisão que foi posteriormente ratificada pelo Tribunal de Justiça após recurso do Ministério Público.
Como a justiça decidiu o caso em Itu?
A juíza Andrea Ribeiro Borges foi responsável pela condenação de Thiago. Ele foi acusado de tráfico de drogas e desobediência, resultando em uma pena de 5 anos de reclusão, além de 15 dias em regime aberto. Em sua argumentação, a juíza enfatizou a “quantidade exorbitante” de entorpecente e a “ousadia demonstrada na fuga”, o que, segundo ela, demonstrava que o réu era parte significativa de uma operação de tráfico.
O caso teve início em agosto de 2025, quando a polícia recebeu a informação de que um Hyundai Creta estava transportando drogas. Após uma perseguição de 30 km pela Rodovia Castello Branco, o motorista se rendeu, dando fim à fuga que despertou o interesse da Polícia Militar e envolveu apoio aéreo do helicóptero Águia.
No interior do veículo, a polícia encontrou 244 tabletes de pasta base de cocaína, totalizando 243,1 kg. Thiago admitiu que aceitou transportar a droga de Sorocaba a Campos do Jordão por R$ 3 mil, devido a dificuldades financeiras.
O que motivou a controversa decisão do juiz em Itu?
A decisão que permitiu a soltura de Thiago em sua audiência de custódia foi amplamente criticada. O juiz Marcelo Nalesso Salmaso, responsável pela decisão inicial, argumentou que a quantidade de droga era “pequena”. No entanto, tal justificativa foi alvo de controvérsias, e o próprio juiz reconheceu um “equívoco” na fundamentação, alegando que utilizou um texto modelo inadequado. Embora tenha corrigido a fundamentação, a liberdade provisória foi mantida até que o Tribunal de Justiça interveio após o recurso do Ministério Público.
Esse episódio escandalizou a comunidade de Itu, uma cidade que, historicamente, não lidava com casos tão graves de tráfico nas proporções apresentadas. O ocorrido levantou questões sobre a eficácia do sistema de justiça e a responsabilidade dos magistrados em decisões tão significativas. Os moradores, em sua maioria, estavam perplexos com a ideia de que alguém poderia ser libertado por uma suposta “pouca quantidade” de drogas.
Quais os efeitos da decisão na comunidade de Itu?
A condenação finalmente trouxe alívio para muitos cidadãos, que expressaram alívio ao ver uma resposta efetiva da justiça sobre um crime tão grave. A condenação de Thiago é vista por muitos como um passo na direção certa, porém ainda existem preocupações sobre a leniência que o sistema pode mostrar em casos futuros. O sistema de justiça de Itu é um centro de debate, e as pessoas estão cada vez mais atentas às decisões que envolvem o tráfico de drogas na região.
Além disso, a expectativa é que o Ministério Público possa estar mais ativo na fiscalização e acompanhamento de casos similares. A importância da colaboração entre a polícia e a população é essencial para manter a cidade segura e longe das práticas ilícitas que podem afetar a vida de todos os cidadãos.
O que as defesas dos réus afirmam após a condenação?
A defesa de Thiago argumentou durante o julgamento que ele era apenas uma “mula” do tráfico, uma figura vulnerável utilizada por organizações maiores. Segundo os advogados, o réu não tinha conhecimento da quantidade exata de drogas que estava transportando e, portanto, deveria ser beneficiado pelo tráfico privilegiado, uma redução de pena para réus primários sem envolvimento com organizações criminosas.
Por outro lado, o Ministério Público sustentou que a quantidade de droga e a complexidade da logística envolvida indicavam que Thiago não era uma pessoa comum, mas sim uma peça essencial em uma rede de tráfico organizada. A visão do MP foi a de que ele merecia uma pena severa pela gravidade da situação.
Agora, o foco recai sobre o futuro do processo e possíveis apelações que poderão ser feitas. A defesa já manifestou intenção de recorrer da sentença, embora a aceitação deste recurso possa ser desafiadora, dada a natureza da condenação.
A situação em Itu serve como alerta não apenas para a cidade, mas para toda a região do São Paulo, que enfrenta desafios contínuos relacionados ao tráfico e à segurança pública. Com a condenação, a população local espera que a justiça continue a ser aplicada de forma rigorosa em casos dessa natureza e que um exemplo seja efetivamente enviado para aqueles que estão envolvidos no tráfico de drogas.



