Jaboatão dos Guararapes (PE): Jiboia é encontrada na praia de Piedade e resgatada pelos Bombeiros Militares

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Jaboatão dos Guararapes (PE) — Uma jiboia foi encontrada por banhistas na faixa de areia da praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na manhã deste domingo (19 de maio), por volta das 6h30. O animal chamou a atenção de quem passeava ou praticava exercícios nas primeiras horas do dia, despertando preocupação e curiosidade quanto à presença de uma serpente na orla da cidade.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, a ocorrência foi atendida logo após o acionamento dos profissionais pela própria população, que estranhou o aparecimento do réptil em pleno espaço público. Após avaliação e captura, a jiboia foi devolvida ao habitat natural, sendo solta no mar, segundo protocolo da corporação.

O caso mobilizou a região metropolitana do Recife e levantou uma série de discussões envolvendo segurança de banhistas, manejo de animais silvestres e histórico desse tipo de situação nas praias urbanas de Pernambuco.

Por que uma jiboia apareceu na praia de Jaboatão dos Guararapes?

A presença da jiboia na areia chamou a atenção também de especialistas. Segundo o biólogo André Maia, entrevistado pela TV Globo, há duas hipóteses principais para explicar a chegada do animal à praia. Uma delas envolve o regime de chuvas no estado, que durante esta época do ano costuma ser intenso na Região Metropolitana, provocando mudanças no comportamento dos animais silvestres.

De acordo com Maia, a jiboia pode ter sido arrastada de seu ambiente nativo, como áreas de mangue ou terrenos baldios próximos à praia, pela força das águas dos rios locais. “Esse animal, a gente pode encontrar no mangue, então algumas chuvas podem fazer com que esse animal vá nadar para atravessar um rio e aí ele seja arrastado para a região estuarina, que é o encontro do rio com o mar e termina chegando aí na água”, explicou o especialista. Ele também ressaltou que há áreas de vegetação e terrenos abandonados em Jaboatão próximos à faixa litorânea, o que facilita o deslocamento da fauna silvestre.

Casos como esse, porém, não são comuns em Recife e cidades vizinhas. Embora já tenham sido registrados outros episódios envolvendo animais silvestres nas praias da Grande Recife, a aparição de serpentes em áreas movimentadas ainda surpreende moradores e exige atenção das autoridades ambientais e de segurança pública, conforme registrado em relatórios anteriores da Polícia Ambiental local.

Qual foi o procedimento dos Bombeiros e está correto segundo especialistas de Pernambuco?

Após serem acionados, integrantes do Corpo de Bombeiros chegaram rapidamente ao local. O procedimento adotado foi avaliar a saúde do animal, constatando que a jiboia estava sem ferimentos e em boas condições. Diante desse cenário, a equipe optou por realizar a soltura imediata no mar, acreditando restaurar o equilíbrio ambiental e evitar riscos tanto à serpente quanto ao público que frequentava a praia, como relatado em nota da corporação.

No entanto, o biólogo André Maia diverge da decisão institucional. Segundo ele, o mais apropriado seria encaminhar o animal diretamente ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) Tangara, operado pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH) e localizado na Zona Norte do Recife. “Era para ele ter ido para o Cetas, que é o mais aconselhável, para que o órgão ambiental decida se o animal está apto a ser solto ou não”, defende Maia.

O especialista ainda pontua que serpentes como a jiboia não são adaptadas ao ambiente de água salgada, podendo sofrer com desidratação e outros estresses fisiológicos. Ele reforça que o encaminhamento para órgãos especializados evita riscos ao próprio animal e possibilita avaliações completas antes de qualquer reintrodução à natureza, um padrão defendido por entidades de justiça ambiental e veterinários da região.

O histórico e os riscos de animais silvestres nas praias de Pernambuco preocupam?

Reportes de animais silvestres em áreas urbanas, especialmente próximas à orla de cidades como Jaboatão dos Guararapes, têm aumentado nos últimos anos. No entanto, a coincidência de uma serpente da espécie jiboia na praia ainda é considerada rara, sendo um fato que surpreendeu até mesmo moradores antigos da região. “Nunca vi isso antes, só tinha ouvido falar de tubarão, agora aparece até cobra”, comentou um frequentador da praia ao DE.

O próprio histórico da região litorânea de Pernambuco inclui ocorrências marcantes por ataques de tubarão e, esporadicamente, por animais terrestres que se aproximam das zonas balneárias — porém serpentes são casos atípicos. De acordo com levantamentos da Polícia Ambiental, geralmente quando há notificações, estão relacionadas a resgates em áreas de vegetação de mangue, não à faixa de areia.

Especialistas alertam que, devido à urbanização acelerada e à redução de habitats naturais, o contato entre humanos e animais silvestres tende a aumentar. O episódio em Piedade, portanto, é mais um alerta para necessidade de monitoramento de áreas verdes próximas à zona urbana, de modo semelhante ao que já é feito em cidades como Olinda e Cabo de Santo Agostinho. O Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais reforçaram pedido para que a população evite contato direto com animais vindos da natureza e acione imediatamente os serviços públicos competentes em casos similares, colaborando com ações de investigação ambiental e preservação faunística na região.

Como a população de Jaboatão e Grande Recife deve agir em situações como essa?

O principal conselho das autoridades e especialistas é nunca tentar capturar ou manusear animais silvestres, mesmo parecendo inofensivos. É comum que situações de contato entre fauna e humanos gerem pânico, especialmente quando envolvem animais pouco vistos no cotidiano da cidade, como jiboias, que podem atingir cerca de 2,5 metros e assustar moradores desavisados.

Em caso de aparição de serpentes, como ocorreu na praia de Piedade, a recomendação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros através do número 193 ou a Polícia Ambiental. O atendimento especializado é capaz de garantir segurança tanto para pessoas quanto para o animal, evitando acidentes e preservando o equilíbrio da fauna local. É importante também notificar a CPRH ou órgãos ambientais quando os avistamentos ocorrem em áreas frequentadas por famílias, idosos e crianças, para permitir avaliações técnicas rápidas e adequadas.

Além das recomendações diretas, a população do Recife e cidades vizinhas pode consultar manuais online de orientação para convivência segura com a fauna silvestre, amplamente divulgados pelos canais oficiais de órgãos ambientais estaduais e federais. Isso é essencial para aumentar a conscientização e reduzir riscos, especialmente considerando o contexto regional de convivência crescente com a natureza em meio à urbanização acelerada das últimas décadas.

O caso da jiboia em Jaboatão dos Guararapes não só foi um susto regional, mas também um chamado para o debate entre autoridades, ambientalistas e a própria população sobre temas de justiça ambiental e proteção dos animais silvestres em Pernambuco.

Por fim, moradores relataram que pretendem intensificar a vigilância nas áreas de mangue e terrenos baldios próximos à praia, uma vez que episódios similares, embora raros, impactam o cotidiano e a sensação de segurança das famílias que visitam ou vivem à beira-mar. Segundo o Corpo de Bombeiros, a corporação seguirá patrulhando os principais pontos da orla, em parceria com órgãos de monitoramento ambiental, até segunda-feira e durante toda a temporada chuvosa.

Para mais informações sobre casos recentes envolvendo animais silvestres, as ações da Polícia Ambiental e detalhes de investigação e manejo legal da fauna, acompanhe a cobertura completa do DE em Pernambuco e na Grande Recife.

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