RIO DE JANEIRO (RJ) — O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, começou a ser interrogado no Tribunal do Júri na tarde desta terça-feira (2), no nono dia de julgamento pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos. O réu, que responde por homicídio qualificado, optou por não responder perguntas da acusação ou da juíza, conforme informou seu advogado. O depoimento ocorre após uma semana de testemunhas que incluíram investigadores, peritos e familiares.
Jairinho nega agressões e critica investigação
Em tom emocionado, Jairinho iniciou sua fala apresentando sua trajetória pessoal e destacou a importância da mãe. Ao abordar o caso, criticou a investigação e afirmou que a defesa teve acesso a novas provas apenas em janeiro deste ano, que, segundo ele, mudam completamente o entendimento dos fatos. “Esse processo é tão fora da curva que, a cada mês, temos acesso a novas provas. É uma coisa para colocar o coração de vocês e a verdade acima de tudo”, declarou aos jurados. Durante o interrogatório, ele também foi questionado sobre um boletim de ocorrência por violência doméstica registrado pela ex-mulher, Ana Carolina. Jairinho negou as agressões e disse que a discussão ocorreu após uma crise de ciúmes, quando a então esposa descobriu mensagens com outra mulher. Ele admitiu ter puxado o braço dela durante a briga, mas afirmou que foi uma reação a uma agressão sofrida. O ex-vereador ainda declarou que, apesar do registro policial, o casal permaneceu junto por mais seis anos.
Monique Medeiros muda versão e aponta Jairinho como autor
Em depoimento no mesmo dia, Monique Medeiros, mãe de Henry e ré no processo, surpreendeu ao afirmar que hoje acredita que Jairinho matou o filho. “Pelo modus operandi dele, pelos filhos delas, eu acredito que pode ter sido ele”, disse, referindo-se a outras acusações de ex-namoradas. Ela relatou que tomou um comprimido dado pelo então companheiro na noite da morte e foi acordada por ele, encontrando Henry com o pé gelado e olhando para o nada. Monique afirmou que, na época, imaginou que a morte tivesse sido causada por uma queda da cama. A ré também disse que acredita ter sido dopada por Jairinho para que ele pudesse conversar com uma amante. Durante o interrogatório, ela chorou ao recordar episódios de agressão, como quando Henry disse que Jairinho lhe deu uma “banda” e uma “moca” em novembro de 2020, e passou a vomitar e tremer na presença do ex-vereador. Monique negou ter sido alertada pela babá Thayná Ferreira sobre as agressões e chamou a ex-funcionária de “grande mentirosa”.
Julgamento se encaminha para fase de debates
Após os interrogatórios dos dois réus, o júri do caso Henry Borel entra na fase de debates, que podem se estender por mais de dez horas. O Ministério Público e as defesas terão direito a sustentações orais, réplica e tréplica, com limites de tempo definidos pela juíza Elizabeth Machado Louro. Depois, os sete jurados do Conselho de Sentença responderão a quesitos sobre materialidade e autoria, e a decisão será tomada por maioria de votos. A sentença final estabelecerá as penas para cada um dos acusados. O Rio de Janeiro acompanha atentamente o desfecho de um dos casos mais emblemáticos de violência contra crianças nos últimos anos.



