Os novos arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelaram mais de três milhões de registros relacionados a Jeffrey Epstein, um dos casos criminais mais controversos recentes. Entre os materiais divulgados, estão trocas de e-mails e mensagens onde o empresário, condenado por tráfico sexual, comentou sobre figuras influentes. Alguns documentos anteriores já apontavam menções ao Brasil nas conversas de Epstein com contatos famosos, mas essa última divulgação trouxe mais detalhes.
Antes das eleições presidenciais de 2018, Epstein trocou mensagens com Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, discutindo sobre Jair Bolsonaro. Epstein afirmou que Bolsonaro estava mudando o jogo e destacou a necessidade de reativar a economia do Brasil. Bannon mencionou sua proximidade com aliados do candidato e perguntou se deveria aceitar um convite para ser conselheiro. Epstein sugeriu que seria bom para a marca de Bannon se ele fosse associado à vitória de Bolsonaro.
Em outro momento da conversa, Bannon mencionou a importância de manter sua relação com Jair nos bastidores, já que seu poder vinha da falta de defensores públicos. Epstein demonstrou desconforto com a negação de Bolsonaro sobre qualquer associação com Bannon, chamando-a de ‘fake news’. Além disso, em uma troca de mensagens, Epstein reagiu friamente à notícia de um atentado a faca contra Bolsonaro durante a campanha, dizendo apenas ‘Antes ele do que eu’.
Epstein também havia feito comentários sobre a política brasileira em e-mails anteriores, descrevendo Bolsonaro como ‘o cara’ e relatando uma ligação que teve com Lula da Silva, mediada por Noam Chomsky, quando o ex-presidente estava preso. Cerca de um ano depois dessas conversas, Epstein foi encontrado morto em sua cela, em Nova York, em um caso oficialmente tratado como suicídio por enforcamento.




