Jogo de cartas para combater o racismo: Universitária carioca inova no combate à discriminação

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Universitária carioca desenvolve jogo de cartas para discutir racismo

Uma jovem carioca desenvolveu um jogo de cartas com foco no combate ao racismo e no incentivo ao acesso à cultura. Thais Dias Xavier, de 28 anos, é graduanda em História da Arte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e mostrou o projeto no Globo Comunidade deste domingo (22).

Segundo Thais, a ideia do jogo surgiu a partir de experiências pessoais e da percepção de que muitas pessoas ainda se sentem afastadas de espaços culturais. “Eu já tinha, como produtora, um incômodo, que era de algumas pessoas terem medo de chegar nesses locais de cultura, às vezes por questões geográficas, às vezes por falta de conhecimento, de acesso”, afirmou.

A iniciativa foi desenvolvida a partir da pesquisa “Vivência também é ciência: a gamificação como ferramenta para o letramento afro-cultural”, realizada durante a participação dela no programa Jovens Cientistas Cariocas, na Nave do Conhecimento de Madureira. Posteriormente, o projeto foi aprofundado no edital Bora Fazer, quando o jogo foi estruturado.

CARTAS REPRESENTAM REFERÊNCIAS E SITUAÇÕES DE RACISMO

O jogo é composto por cartas com personagens negros, referências históricas e situações que representam diferentes formas de racismo. A proposta é que os participantes utilizem essas cartas para discutir e “combater” os chamados vilões, que simbolizam práticas discriminatórias.

“Essa metodologia de olhar para as pessoas pretas e tê-las como referência é central. Quando a gente tem uma pessoa que é próxima ou que a gente acompanha fazendo aquilo, fica mais simples”, explicou Thais.

Entre os exemplos apresentados estão cartas de figuras como a professora Lélia Gonzalez e o jornalista Rene Silva, além de personagens que representam situações de opressão, como a exigência de padrões estéticos em ambientes de trabalho.

De acordo com a criadora, o jogo também busca ajudar a identificar práticas racistas que muitas vezes não são nomeadas. “Muitas pessoas não conseguem identificar o racismo porque não sabem nomear. Se sentem desconfortáveis, mas não têm essa nomenclatura”, disse.

TRAJETÓRIA LIGADA A PROJETOS SOCIAIS

Thais contou que o envolvimento com projetos sociais foi determinante para a trajetória acadêmica. Segundo ela, o primeiro contato ocorreu ainda na infância, ao acompanhar a irmã mais velha no processo de ingresso na universidade.

“Eu vejo a minha irmã descobrindo que poderia fazer faculdade, que não era tão difícil quanto faziam parecer. E aí eu, mais nova, tenho essa influência de ‘então eu também posso’”, relatou.

Ela chegou a iniciar uma graduação em Direito, mas decidiu mudar de área e passou a cursar História da Arte. Para Thais, iniciativas como o jogo podem contribuir para aproximar mais pessoas de espaços culturais e educacionais.

“A arte pode libertar a gente. Quando a gente conhece a nossa cultura, o nosso local, isso dá uma força, um empoderamento e a gente perde o medo de abrir portas”, afirmou.

A expectativa é que o jogo seja utilizado em ambientes educativos e culturais, com possibilidade de adaptação para diferentes públicos e tamanhos de grupo.

Ana Paula Santos mostra carta de Bia Souza — Foto: Reprodução/TV Globo