Jorge Bischoff nasceu e fez sua carreira em Igrejinha, município que tem forte
presença calçadista — Foto: Arquivo pessoal
Filho de um sapateiro e de uma costureira, Jorge Bischoff cresceu e criou sua
marca em Igrejinha, cidade a 90 km de
Porto Alegre com uma forte cultura calçadista. “Eu nasci no meio do couro e da
cola. Quando eu nasci, minha mãe trabalhava em uma fábrica, e minha tia me
levava lá para eu mamar.”
Hoje, aos 61 anos, o empresário é dono de mais de 130 lojas, sete delas fora do
Brasil. Para abastecer as próprias lojas e as demais parceiras, espalhadas por
60 países, ele produz 2 milhões de produtos por ano. “Nós fomos ganhando o
Brasil, ganhando o mundo. E hoje, literalmente, nós estamos de ponta a ponta.”
A experiência de Bischoff com calçados
A experiência de Bischoff com calçados iniciou ainda na infância. Ele começou
como sapateiro, e passou por todas as áreas da produção acumulando experiência.
Ao notar que a parte criativa era responsabilidade do modelista, começou a
desenhar e se especializou na área.
“Às vezes saía do colégio, de noite, passava na frente e o cara tava lá
trabalhando, eu entrava na fábrica, ficava, tentando ver como desenhava, como
fazia. Fim de semana também ficava em casa desenhando. Enquanto a galera
brincava, eu estava desenhando.”
Criação da marca
Ele foi se desenvolvendo e assumiu como modelista em uma calçadista. A virada de
chave de sua carreira foi em 1996, quando criou seu estúdio e começou a fornecer
suas próprias criações para outras empresas.
“As coisas foram andando, crescendo, e quando nós inauguramos um espaço novo,
um estúdio novo, em 2001, foi um evento muito bacana e um dos jornalistas
disse: ‘Jorge, quando é que vai lançar a tua marca?'”, lembra. Pouco depois,
ele anunciou a novidade à equipe e a marca começou a ganhar forma, sendo
oficialmente criada em 2003.
Crescimento e projeções
A grife já tem mais de duas décadas de história. O Bischoff Group se consolidou
no mercado de moda, design e varejo. “Dando valor a cada centavo que a gente
colocou dentro da empresa, porque nunca tivemos investidor, não tivemos sócios
que botassem dinheiro, tudo construído por nós: eu, minha esposa, depois a
Natália [filha], que se criou dentro da empresa, e o meu time”, relata.
A empresa encerrou o ano passado com alta de 12% na receita, em relação a 2024,
e projeta crescimento de 15% em 2026. O plano de expansão inclui a abertura de
20 novas lojas ao longo deste ano.
Reconhecimento e diversificação
Reconhecido e querido pelas clientes, há até quem peça autógrafos quando o
encontra. “Se formam filas de mulheres. É algo que não se vê. Nunca vi um
sapateiro fazer isso”, comenta Denise Pomje, gerente institucional da empresa.
Além de sapatos e bolsas, desde 2017, o empresário também está no ramo de
vinhos, com a Bischoff Wines. “Deixou de ser uma marca de sapatos, de bolsas,
passou a uma marca de lifestyle.”




