Uma jovem, de 22 anos, denunciou uma técnica de enfermagem por racismo e gordofobia. A vítima contou ao DE que estava internada com pneumonia em um hospital em Santos, no litoral de São Paulo, quando a profissional disse que o cabelo dela era “duro” e o braço “muito gordo”.
O caso aconteceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste. A Prefeitura de Santos e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) investigam a denúncia contra a técnica de enfermagem, que não teve a identidade divulgada.
Vítima relata episódio de preconceito durante internação
A vítima explicou que estava internada desde domingo (8), mas as injúrias começaram por volta das 8h de quinta-feira (12). De acordo com ela, a técnica de enfermagem começou os comentários ofensivos após o médico informar que possivelmente a paciente teria alta hospitalar naquele dia.
“Assim que ele saiu do quarto […], em tom debochado, ela disse que era bom eu receber alta para lavar meu ‘cabelo duro’, que estava ‘todo embolado, cacheado e fedido’, e que eu precisava ‘arrumar o cabelo, pentear e tomar banho direito’. Fiquei completamente sem reação naquele momento”, disse a jovem.
A paciente afirmou que, logo depois, a profissional tentou aferir a pressão dela. “O aparelho deu erro e ela disse que meu braço era muito gordo e que ‘precisaria de um aparelho maior porque eu comia muito doce’. Em seguida, começou a procurar doces dentro da minha mochila”, lembrou ela.
Repercussões e desdobramentos do caso
A jovem disse que ofereceu um doce para a técnica de enfermagem. “Ela respondeu que não queria porque tomava Mounjaro, passou a mão pelo próprio corpo e disse rindo que eu deveria parar de comer”.
A vítima contou o ocorrido para o médico, que acionou a coordenação do hospital. Em seguida, a enfermeira chefe informou à jovem que a técnica de enfermagem reconheceu que fez os comentários, mas que teria sido “apenas uma brincadeira”, pois “ela tem um marido negro e acima do peso”.
Ações e posicionamentos acerca do caso de preconceito
Ela saiu do hospital sem estar totalmente recuperada. “Ninguém deveria passar por racismo ou ser tratado dessa forma dentro de um ambiente de saúde, especialmente estando vulnerável e internado”, lamentou a jovem, que registrou a denúncia na ouvidoria municipal, no Coren-SP e na Polícia Civil.
A prefeitura informou que a ocorrência será apurada junto à organização social responsável pela gestão da UPA Zona Noroeste. “A Secretaria de Saúde de Santos enfatiza que não compactua com quaisquer ações discriminatórias, primando pelo atendimento humanizado em todas as suas unidades próprias e conveniadas”, destacou a administração municipal, por meio de nota.
O Coren-SP também afirmou que abriu uma sindicância para investigação do caso. “A apuração seguirá sob sigilo processual e, após a averiguação dos fatos, se forem constatados indícios de infração ética, será instaurado um processo ético-profissional”, afirmou o conselho, destacando que tem compromisso com o exercício da enfermagem livre de qualquer tipo de discriminação.




