Jovem gaúcha que cursou mestrado durante enchente ganha bolsa de R$ 2 milhões nos EUA
A arquiteta e urbanista Andressa Valentin, de 29 anos, natural de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi aprovada para um PhD em Planejamento Urbano na Ohio State University, nos Estados Unidos. E tudo isso, de graça: Andressa conquistou uma bolsa de estudos integral estimada em mais de R$ 2 milhões. A conquista pode ser ainda maior, pois Andressa ainda aguarda o resultado de outras universidades americanas. A jovem recebeu orientação do EducationUSA, rede do Departamento de Estado dos EUA para estudos no país.
Filha mais nova de quatro irmãos, Andressa cresceu em um ambiente que valorizava a educação. Seu pai, principal incentivador, concluiu o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) e não pôde terminar a faculdade por questões financeiras. “A educação sempre foi algo muito estimulado pela minha família, pelos meus pais, principalmente”, conta Andressa. “O meu pai, de fato, ele é uma pessoa muito curiosa. Eu sempre via ele lendo coisas, se interessando por história, lendo livro, lendo jornal.” O apoio paterno ia além das palavras. “Ele me auxiliou durante toda a minha trajetória. Quando eu tinha algumas aulas à noite, ele me acompanhava para garantir minha segurança. A gente não tinha muito dinheiro, mas eu tinha esse apoio moral e esse suporte nas ações da minha família, que foram essenciais”, relembra.
FOCO NA CRISE CLIMÁTICA
O foco do doutorado será o planejamento urbano e os efeitos da crise climática, tema que ganhou força após as enchentes que atingiram o RS em maio de 2024. “Na reta final do meu mestrado aconteceram as enchentes e foi impossível não pensar sobre isso. O que ficou muito claro é que os espaços que já são vulnerabilizados, onde está a maioria da população pobre, a maioria da população negra, são os espaços mais atingidos”, explica. O objetivo é claro: voltar e aplicar o conhecimento adquirido. “Meu desejo realmente é ir para lá, buscar um repertório, abrir meus horizontes, mas para aplicar na realidade daqui, seja como planejadora urbana, seja como professora universitária. A gente consegue propor uma cidade que seja minimamente justa, minimamente equilibrada para todo mundo”, projeta.



