Jovem morre baleado após perseguição por guardas municipais em São Caetano: entenda o caso

Jovem morre baleado após perseguição por guardas municipais em São Caetano: entenda o caso

SÃO PAULO (SP) — A Polícia Civil de São Caetano do Sul apura as circunstâncias da morte de Emerson dos Santos da Silva, de 22 anos, baleado por um guarda civil municipal durante uma perseguição no último domingo (7). Imagens gravadas por um motorista flagraram o momento em que um homem, que desceu de um carro, coloca um objeto ao lado do condutor da moto, João Carlos Piere, de 30 anos, ferido e imobilizado por um agente. O caso ganhou contornos de polêmica depois que o delegado responsável, Carlos Miranda, do 42º Distrito Policial, afirmou que a arma apreendida oficialmente não é a mesma que aparece no vídeo.

De acordo com o delegado, a arma recolhida pela polícia é um revólver calibre 38, com cinco munições, encontrado ao lado do corpo de Emerson. “A arma apreendida aqui na delegacia é um revólver calibre 38, com cinco munições. Esta arma foi apreendida do lado do Emerson, no começo da ponte, e não é a da imagem”, declarou. Já a Prefeitura de São Caetano do Sul afirmou em nota que o objeto registrado pelas câmeras pertence a um guarda civil municipal, que teria caído durante o acompanhamento tático e sido devolvido por um cidadão. A administração municipal classificou como “absolutamente inverídica” a hipótese de que um homem a paisana teria deixado uma arma “aleatória” para atribuir seu uso ao homem ferido.

Perseguição e versão dos guardas municipais

Segundo o boletim de ocorrência, os guardas municipais da Rondas Táticas com Apoio de Motocicletas (Rotam) informaram que suspeitaram de adulteração no sinal identificador da motocicleta. Ao emitirem ordem de parada, os ocupantes não obedeceram e iniciou-se um acompanhamento tático que terminou na região da Vila Prudente, na capital paulista, na divisa com SÃO PAULO. Durante a ação, os agentes relataram que o garupa apontou uma arma para eles, o que motivou os disparos. O condutor João Carlos Piere foi baleado e permanece internado, enquanto Emerson morreu no local.

O vídeo, no entanto, mostra João caído e imobilizado enquanto um homem desce de um carro, conversa com o guarda e coloca um objeto no chão. Em seguida, o agente dá um tapa em João, recolhe o objeto e o guarda. O delegado Carlos Miranda afirmou que a polícia vai ouvir novamente os três guardas envolvidos para esclarecer o que as imagens mostram. “Eles estavam rodando com um veículo que não dava para identificar a placa. Então, a GCM achou por bem fazer essa abordagem e isso é padrão policial”, justificou o delegado.

Família nega que vítima estivesse armada

A família de Emerson contesta a versão dos guardas. “O meu sobrinho nunca teve arma nenhuma. Eu tenho certeza que ele nunca teve arma”, afirmou Viviane Alves dos Santos, tia do jovem. Emerson foi enterrado na segunda-feira (8). O condutor João Carlos Piere foi ouvido pela polícia na terça-feira (9) enquanto ainda estava internado. Ele teria dito que a motocicleta era irregular e que o objeto colocado ao seu lado não era dele. A moto foi periciada.

A Secretaria de Segurança de São Caetano do Sul reiterou que todos os procedimentos legais foram seguidos e que a arma deixada pelo cidadão junto ao guarda é do próprio agente. “A versão de que o cidadão seria um policial a paisana e que teria deixado uma arma ‘aleatória’ no local em tentativa de atribuir o seu uso ao homem abordado (ferido) é absolutamente inverídica”, concluiu a nota oficial. A investigação continua em andamento para esclarecer todos os fatos.

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