Juninho, do Novorizontino, relata superação da infância difícil: “Era ladrãozinho”

juninho2C-do-novorizontino2C-relata-superacao-da-infancia-dificil3A-22era-ladraozinho22

Volante do Novorizontino conta como futebol o ajudou na vida: “Era viciado em
roubar”

Juninho relembra infância difícil e diz que “era um ladrãozinho”. Jogador
ex-Vasco chorou ao marcar gol da vitória do Tigre, que lidera o Paulistão

Novorizontino 2 x 1 São Bernardo | Juninho marca nos acréscimos e dá vitória ao
Novorizontino [https://s01.video.glbimg.com/x240/14327684.jpg]

Novorizontino 2 x 1 São Bernardo | Juninho marca nos acréscimos e dá vitória ao
Novorizontino

Toda semana o futebol cria novos heróis e vilões. O autor do gol da vitória de
um clube vira o centro das atenções dos torcedores. Quem perde uma grande
chance, passa a ser o causador de todos os problemas. Tudo muito efêmero,
passageiro.

Outros personagens surgirão em poucos dias, mas em meio aos holofotes, existem
histórias de vida dos protagonistas que vão além do gramado e muitas vezes não
ganham as manchetes. Momentos que impactam na performance dentro de campo.

Juninho, volante do Novorizontino, é um desses exemplos. Na última rodada do
Paulistão, o jogador marcou o gol da vitória contra o São Bernardo já nos
acréscimos. Um gol importante, que manteve o Tigre na liderança. Juninho não
conteve as lágrimas na hora da comemoração.

— Quando entrei no jogo, eu ouvi a voz dela gritando: ‘Vai, Júnior’. E naquele
momento, eu entrando no jogo, eu comecei a chorar. Acho que meus companheiros
não entenderam nada. Poder ouvir aquela voz novamente, eu falei, minha tia está
aqui. Comecei a orar para ser abençoado com um gol e poder dedicar a ela. Eu já
estava até desacredito, mas aconteceu. Deus me abençoou, eu pude fazer aquele
gol maravilhoso e dedicar a ela, e à minha esposa — confidenciou em entrevista
ao programa Resenha Esporte Clube, da Rádio Esperança, de Novo Horizonte.

A tia não é tia de sangue, mas de consideração. Angélica Monteiro foi uma
presença importante na vida do hoje camisa 50 do Novorizontino. A relação
começou quando ele ainda era uma criança de nove anos.

Por conta de dificuldades financeiras familiares, Juninho, que à época vivia com
a sua mãe, não tinha condições de se deslocar de Volta Redonda, onde residia,
até o Rio de Janeiro, cidades que estão separadas por cerca de 130 km.

Na categoria de base do Flamengo, o volante jogava com o filho de Angélica, o
goleiro João Fernando, que hoje é profissional do Boavista-RJ. Ela assumiu a
responsabilidade de levar os dois garotos aos treinamentos.

Essa relação foi interrompida quando Juninho foi dispensado do clube, aos 10
anos, por indisciplina. Sem o futebol, a vida tomou outro rumo.

— Eu não ia mais para a escola, não estava jogando e estava começando a roubar.
Eu estava viciado em roubar dinheiro, eu era ladrão, ladrãozinho mesmo —
revelou.

Com pais separados, Juninho, após a saída do Rubro-negro, foi morar com o seu
pai, Alexandre, em Nova Iguaçu, na baixada fluminense.

— Meu pai conseguiu tirar esse vício de mim. Quando o Flamengo soube disso foi
na minha casa e perguntaram se eu poderia voltar, e eu voltei. Só que meu pai
não tinha condições de ficar me levando todos os dias. Um dia ele me deu o
dinheiro da passagem (para ir ao CT) e disse que eu poderia ir ou voltar a
trabalhar com ele. Eu tinha 11 anos e decidi ir para o clube — contou.

Durante dois anos, entre transporte público e algumas caronas, Juninho fez o
trajeto de cerca de 60 quilômetros entre a Baixada Fluminense e Vargem Grande,
bairro do Rio de Janeiro onde fica o centro de treinamentos do Flamengo.

Aos 13 anos, o jovem jogador e seu pai mudaram para Vargem Grande. Com problemas
de relacionamento, Juninho saiu de casa. Como o pai era o responsável legal por
ele, mais uma vez, foi dispensado pelo Flamengo.

Neste momento, a tia Angélica surge novamente.

— A gente se mudou para Vargem Grande com ela pagando o nosso primeiro aluguel.
Quando eu saio de casa, ela posta uma foto comigo dizendo que não ia desistir de
mim. Ali, ela me chamou para morar com ela, sabendo de tudo que eu estava
fazendo de errado, porque eu estava me desviando do caminho novamente. Eu volto
para Volta Redonda, para morar com ela e, depois de quatro meses, eu fui para o
Vasco [https://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/]. Dali, eu segui a
minha vida sozinho.

— Então, desde os meus 15 anos, a minha tia nunca tinha ido mais a um jogo meu.
Ela me acompanhou desde os nove até os 15. Eu sempre via ela no estádio
gritando. Meu pai e minha mãe, acho que foram (me ver jogar) uma vez só, mas a
minha tia sempre me acompanhou — contou.

Juninho atuou de 2017 a 2023 no Vasco, sendo os três últimos anos como
profissional. Depois, defendeu Orlando City, dos Estados Unidos, Goiás e
Criciúma.

Com o Novorizontino, o volante vive a liderança do Paulistão. Com 16 pontos, o
próximo compromisso será neste domingo, às 20h30, para enfrentar o Bragantino,
em Bragança Paulista, o clube já está garantido nas quartas de final da
competição.

Pontuação que já garantiu o Aurinegro, pelo menos, com a segunda colocação. Ou
seja, no mata-mata decidirá o jogo das quartas em casa. Uma eventual semifinal e
final, também podem ser decididas em Novo Horizonte.

A história de vida de Juninho é marcada por inúmeros desafios e com a camisa do
Tigre, ele quer mais.

— Primeiro é a humildade de lutar, porque não ganhamos nada, mas por que colocar
um empecilho no nosso sonho? Por que não sonhar mais? Então, com muita
humildade, a gente sonha, né? Não tem um bicho de sete cabeças, mas a gente
acredita no nosso potencial — finalizou o camisa 50.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp